O homem ambiental

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Quanto vive um gato?

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gato

 

 

Alguns gatos vivem mais de dez anos e há relatos de uns poucos matusalens felinos que alcançaram mais de vinte anos de existência. A minha pergunta, porém, é sobre a esperança de vida de um gato que habita a selva urbana. Ouso dizer que, em média, eles não alcançam mais do que três anos de vida. Cedo, muito cedo, esses pobres bichanos terão um fim trágico. Alguns serão atropelados, outros serão atacados por cães. Uma parte morrerá por envenenamento e outra será baleada por humanos. Há também os que vão morrer por conta de maus tratos, por abandono, por espancamento. É dura a realidade desses bichinhos que há milênios habitavam o Oriente Médio e se espalharam pelo mundo levados pelo homem. Não sabemos quanto tempo viviam os gatos selvagens daquela época, pois os desafios que enfrentavam em seu habitat selvagem eram outros. Provavelmente, naquele tempo a vida também era dura para os felinos, mas eles estavam bem preparados para sobreviver em seu habitat natural.

Lá em casa já tivemos muitos gatos, todos de vida curta. Os únicos que fogem à regra são dois gatos velhos castrados que trouxemos de um abrigo para animais abandonados. Esses dois, Uga e Felício, estão conosco há bom tempo porque não deixam os limites do terreno e dessa forma tem se preservado dos perigos que ficam além dos muros. Faz alguns dias perdemos o Leo, um gatinho adolescente que morreu envenenado por algum vizinho. Há mais tempo, o Zulu foi atropelado e o Zibang simplesmente sumiu. Talvez, esteja pelo mundo, mas acho essa hipótese pouco provável. Essas perdas me levam a repensar nossa relação familiar com os gatos.

Os gatos são animais com instintos fortes que perderam seu habitat natural neste mundo. Quando os trouxemos para conviver conosco, nos tornamos responsáveis pelo seu destino. E, agora? Como cuidar bem deles? Gatos criados soltos caçam pequenos animais silvestres e esse é outro problema sério. Eu não gosto da ideia da castração que me parece uma mutilação, mas talvez, seja a solução menos traumática para boa parte dos gatos. Os gatos não castrados deviam ser criados apenas em ambientes seguros tanto para eles como para a fauna silvestre. Uma coisa é certa: para cuidar bem dos bichanos temos que parar de pensar neles como uma utilidade doméstica. Gatos para enfeitar a casa? para caçar ratos? para aliviar o estresse dos donos? Ok, desde que o bem estar e a dignidade dos felinos estejam garantidos, afinal, nenum gato tem sete vidas.

Última atualização em Ter, 03 de Agosto de 2010 21:19
 

Geoengenharia ou devastação em escala planetária?

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navio gerador de nuvens

Vou dar uma definição de geoenenharia que não é rigorosa nem politicamente correta, mas sintetiza a minha preocupação com essa nova ciência que pode tomar um rumo promissor no futuro, mas que por enquanto está contaminada por uma visão desenvolvimentista e ultrapassada do combate às mudanças climáticas do planeta.

A geoengenharia estuda as ações humanas inconsequentes e de escala planetária capazes de deter as alterações climáticas causadas por outras ações humanas inconsequentes.

Se entendermos a geoengeharia como um conjunto de ações que provocam alterações globais em nosso habitat podemos dizer que somos geoengenheiros há muito tempo. Não é de hoje que o homem faz intervenções drásticas no planeta. Já devastamos a cobertura vegetal de continentes inteiros; extinguimos muitas espécies; contaminamos a maioria dos ecossistemas com poluição; provocamos a desertificação de grandes áreas; secamos rios e mares; construímos grandes barragens, aterros e ilhas artificiais; introduzimos espécies exóticas agressivas em outros biomas e estamos alimentando o aquecimento global. Estou falando de uma geoengenharia de devastação que permitiu à nossa espécie conquistar o planeta, mas que deixou uma fatura a ser paga.

O homem é um geoengenheiro nato que foi ampliando o alcance de suas ações e que agora planeja intervenções em escala global. O objetivo imediato dessa suposta geoengenharia do bem que está nascendo é propor soluções para o aquecimento global. Infelizmente, parte das pessoas que estão se ocupando da geoengenharia seguem a mesma linha predatória do passado em relação ao ambiente. A geoengenharia ainda é um conjunto de propostas e vou falar sobre duas delas para deixar mais claro quais são os riscos a que me refiro.

Escurecimento global com sulfatos. O planeta ficou mais escuro ao longo do século XX, por conta do lançamento de poluentes particulados na atmosfera. Na última década do século passado, ainda bem, a tendência ao escurecimento se inverteu, provavelmente, graças a cortes nas emissões de poluentes. O escurecimento da atmosfera tem potencial de compensar o aquecimento global, pois reduz a incidência de raios solares. Alguns geoengenheiros propõem um escurecimento artificial da atmosfera por meio da queima de enxofre na extratosfera, o que geraria uma camada refletora de sulfatos. Alguns efeitos colaterais viriam junto como chuvas ácidas, alteração no regime de chuvas do planeta e mudanças na cor do céu e do pôr do sol. Além disso, a semeadura de sulfatos teria que ser feita continuamente, pois a retenção deles na atmosfera é curta. Obviamente, quanto mais CO2 for lançado no ar, mais enxofre será consumido para compensar o aquecimento, o que vai mover mais uma indústria devoradora de recursos.

Fertilização dos mares com ferro. O ferro é um elemento importante no ciclo vital da vida marinha. A ideia é fertilizar os oceanos artificialmente com ferro para aumentar a população de algas. As algas seqüestram carbono da atmosfera em seu processo de fotossíntese e, dessa forma, amenizariam o efeito estufa. Os efeitos colaterais dessas algas bem alimentadas pelo geoengenheiros seriam grandes desequilíbrios nos ecossistemas marinhos, surgimentos de marés vermelhas e acidificação das águas, entre outros.

Os dois exemplos que citei têm em comum alguns vícios da velha geoengenharia informal que o homem tem praticado há séculos: atacam os sintomas e ignoram as causas; criam uma espiral crescente de gastos de recursos e apresentam efeitos colaterais inaceitáveis. Não duvido que alguns projetos de geogenheria serão postos em prática no futuro, mas uma geoengenharia do bem não pode ser baseada na megalomania das obras faraônicas e exige respeito à complexidade dos sistemas que governam essa pequena bola azul em que vivemos.

Última atualização em Ter, 03 de Agosto de 2010 21:09
 

Geoengenharia do bem

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Ideias para conter o aquecimento global não faltam. Uma das propostas que corre por aí é a de lançar na órbita da terra milhões de espelhos para que eles reflitam a luz do sol evitando sua entrada na atmosfera e, dessa forma, amenizando o efeito estufa. Esta é uma das propostas da geoengenharia faraônica que faria a felicidade de algum consórcio multinacional encarregado de operar o serviço. O custo de um projeto desse porte ficaria na casa dos trilhões de dólares e nem faço ideia de como seriam resolvidos os entraves diplomáticos para sua execução. Quem tem jurisdição sobre o aspaço, afinal? É um daqueles projeto que atacam o sintoma enquanto que a causa primária, a emissão de CO2 continuaria avançando sem freios. A poderosa indústria de espelhos espaciais, provavelmente, faria lobby para impedir a redução das emissões, afinal, quanto mais CO2 for para a atmosfera, mais espelhos serão necessários. Chegaria o dia em que os espelhos começariam a mudar a cor do céu, alterariam o regime de chuvas no planeta e a estratosfera passaria a ser mais um lugar repleto de lixo, mas esses problemas todos ficariam para administrações futuras. Decididamente, essa geoengenharia predatória só interessaria a empreiteiros gananciosos, mas será que existe uma geoengenharia do bem?
As propostas da geoengenharia variam muito dependendo da ideologia que está por trás delas. Em um extremo temos a linha desenvolvimentista que não quer mudar hábitos, não quer reduzir consumo e sonha com intervenções drásticas em escala planetária. Existem, por outro lado, propostas menos agressivas que vão pelo caminho do combate às causas do problema, da redução do consumo e do respeito à complexidade do nosso sistema ambiental. Vou um exemplo de solução para o aquecimento global com menor impacto e menor custo: reflorestamento. Simples assim. Árvores seqüestram carbono da atmosfera; podem ser manejadas para fornecer matérias primas para a indústria; detêm a erosão do solo; protegem encostas e as margens dos rios. Melhor ainda se o reflorestamento for feito com espécies nativas para a recuperação de ecossistemas degradados. O reflorestamento não vai competir com a agropecuária se investirmos em tecnologia para melhorar a produtividade da lavoura. Além disso, a agricultura pode também contribuir no combate ao aquecimento global. O plantio direto pode funcionar como parte de um mecanismo de seqüestro de carbono e, da mesma forma, o tratamento do solo com carvão vegetal.

As propostas da geoengenharia precisam ser assimiladas com senso crítico porque a tecnologia não é neutra e a mãe terra reage segundo suas leis.

Crédito de imagem: newscientist.com

Última atualização em Ter, 03 de Agosto de 2010 21:04
 

Aquecimento global e aquecimento local

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termometro

O meteorologista Anthony Watts coloca em dúvida a precisão das estimativas do aquecimento global. Segundo ele, as medições estão superestimadas e aponta motivos como o fato de que três quartos das estações de medição climática que coletavam dados de temperatura no passado já foram desativados o que dificulta a comparação com temperaturas atuais. Para complicar, boa parte das estações de hoje estão localizadas em áreas com micro clima muito alterado pelo homem. O pesquisador cita o exemplo de uma estação localizada dentro de um estacionamento de concreto na cidade de Tucson, Arizona. No passado havia mais estações localizadas em áreas rurais, em altitudes elevadas e em altas latitudes, o que contrasta com as estações climáticas urbanas de hoje. O meio urbano sabidamente pode criar bolsões de calor por conta do excesso de asfalto e concreto e pela carência de áreas verdes.

Independente de Watts estar certo podemos tirar algumas tristes conclusões de seu relatório Surface Temperature Records: Policy Driven Deception? A primeira é que o aquecimento global pode estar super dimensionado, mas existe. A segunda é que pesquisadores competentes estão consumindo energias tentando desacreditar uns aos outros quando podiam estar unidos em favor do meio ambiente.

A terceira conclusão é sobre aquecimento local. Mesmo que não houvesse aquecimento global, que ele fosse apenas uma ilusão de ótica causada por variações de micro clima as pessoas conscientes continuariam preocupadas porque o aquecimento local também é um problema ambiental sério que implica em perda de qualidade de vida e indica degradação ambiental. Quando converso com os mais velhos sobre o clima de minha cidade, eles sempre dizem que no passado Curitiba era mais fria e havia mais geadas. Acredito que eles estão certos e que não se trata de opinião induzida pela mídia, mas nessas horas eu sempre digo que há cinquenta anos Curitiba tinha menos asfalto, menos concreto e muito mais áreas verdes.

O aquecimento local é uma desgraça ambiental tanto quanto o aquecimento global, pois o planeta hoje está repleto de imensas manchas urbanas onde o clima local sofreu transformações drásticas. O aquecimento local é causado pela ocupação desordenada do solo, pelo desmatamento e por outras ações humanas. A maioria das pessoas vive no meio urbano. Se elas percebem que o clima está ficando mais quente onde vivem, pouco importa se o aquecimento é global ou local. O que importa é que temos que reduzir todas as formas de aquecimento causadas pela ação humana.

Última atualização em Ter, 03 de Agosto de 2010 21:01
 

Porque me ufano de ser curitibano

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O degrau zero da consciência ambiental é jogar o lixo na lixeira. Não adianta pensar em reciclagem, em belas lixeiras coloridas, uma para cada tipo de material, se as pessoas passarem ao lado delas e jogarem o lixo no chão. Lixo na rua traz poluição visual, mau cheiro, aumenta o trabalho dos garis, entope bueiros e inviabiliza a reciclagem. Parece óbvio, mas na prática a teoria é outra. No último domingo, o Fantástico da Rede Globo apresentou matéria sobre o comportamento de transeuntes que jogam lixo na rua. A equipe de reportagem do programa fez um teste que consistia em pesar o lixo lançado no chão durante o horário comercial no trecho de um quilômetro de uma rua movimentada. Eles contaram com a ajuda das empresas de limpeza pública de sete grandes capitais brasileiras.

Para minha alegria, Curitiba obteve o melhor resultado com 33 kg de lixo recolhido do chão. Em segundo, já bem distanciada, vem Goiânia com 203 kg. Em São Paulo, foram coletados 540 kg, no Rio de Janeiro 680 kg, em Belém 710 kg e em Fortaleza cerca de 1.000 kg. Salvador amargou o último lugar com 1.200 kg de lixo recolhido. As diferenças tão grandes entre cidades devem estar ligadas a muitos fatores: auto-estima da população, empenho da prefeitura, boa distribuição de lixeiras pelas ruas, organização dos recicladores, mobilização dos comerciantes e por aí vai. Se Curitiba ficou bem na foto, isso não quer dizer que atingimos a perfeição na destinação do lixo. Nas ruas de Curitiba é comum encontrar lado a lado duas lixeiras: uma para o material orgânico e outra para os recicláveis. É uma evolução em relação à lixeira única, mas ainda temos poucas lixeiras coloridas que permitem uma classificação mais avançada do lixo. Nas praças de alimentação dos shoppings, por exemplo, dificilmente se encontra mobiliário para descartar corretamente as sobras do lanche. Geralmente, o que se tem é a lixeira única. Não se vê um ralo para drenar líquidos nem lixeiras separadas para plástico, metal e papel. Aqui em Curitiba, apenas na sede do SESI eu vi a coleção completa de seis lixeiras coloridas como recomenda a melhor prática de coleta. Pelo certo devíamos estar pensando na limpeza do planeta, mas ainda estamos na fase de limpar as ruas.

Assista a reportagem do Fantástico.

lixeiras da coleta seletiva

 

 


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