A hora certa de aposentar as velharias
Seg, 18 de Janeiro de 2010 16:11
Radamés Manosso

Depois de adquirir um equipamento devemos usá-lo até o fim da sua vida útil, certo? Se por algum motivo não quisermos mais uma máquina que ainda funciona devemos passá-la adiante para que continue sendo útil nas mãos de outra pessoa, certo? A troca frequente de aparelhos por versões tecnologicamente mais avançadas é um sintoma de consumismo, certo? Pois bem. Esses pontos de vista fáceis de encontrar na cabeça do cidadão econômico e ecológico estão sendo postos em xeque. Um estudo conduzido na Universidade de Luxemburgo mostra que a utilização de bens obsoletos pode ser ruim tanto para a economia como para o meio ambiente. O alerta dos pesquisadores vale para indivíduos, empresas e governos. A decisão de se livrar de um bem durável, portanto, envolve análise econômica, ética e ambiental. Vamos exercitar essa análise imaginando que dispomos de três velharias em casa: um computador, uma geladeira e um armário e que por razões diversas queremos nos livrar delas. O computador velho não roda programas novos e se trabalha com ele pode estar perdendo dinheiro já que não aproveita a maior produtividade dos softwares recentes. Se você doar o computador pode estar condenando o próximo usuário a uma defasagem tecnológica permanente o que seria uma falsa filantropia. Do ponto de vista ambiental, porém, seria interessante estender o uso do computador porque isso evitaria a produção de uma máquina nova no outro lado da cadeia produtiva. Nesse caso, o ideal seria deslocar o computador para um uso que não exija alta performance. Ele pode não ser ideal para uma criança usar em sala de aula, mas talvez sirva para controlar o estoque no almoxarifado de uma escola comunitária.
Última atualização em Seg, 18 de Janeiro de 2010 16:19
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Década da sustentabilidade
Sáb, 02 de Janeiro de 2010 15:35
Radamés Manosso
Não estou afirmando que 2010 inaugura a década da sustentabilidade. Este é na verdade o meu desejo de ano novo, mas não é um sonho desvairado. Há razões para crer que esta década trará as maiores conquistas ambientais da História. 2009 não terminou bem para a causa ambiental. A conferência sobre mudanças climáticas de Copenhague, COP-15, ficou sem resultados significativos, apesar da grande mobilização da opinião pública em torno do encontro. 2010 promete ser melhor, pelo menos aqui no Brasil. A lei brasileira de mudanças climáticas foi sancionada em 29/12/2009 e oficializa a meta brasileira anunciada na COP15. O objetivo dela é promover uma redução de no mínimo 36,1% na emissão brasileira de gases do efeito estufa até 2020. Não é a lei dos sonhos dos ambientalistas, pois não penaliza quem a descumprir e é vaga sobre as medidas que serão adotadas para o atingimento da meta. Paciência, assim caminha a humanidade. De qualquer forma, é uma meta ambiciosa para um intervalo de tempo tão curto. O pulo do gato da lei está no combate ao desmatamento. O maior volume de emissões de CO2 no Brasil está ligado à queima de matas nativas. Combatendo o desmatamento, baixamos drasticamente nossas emissões. Simples, não é mesmo? A meta do Ministério do Meio Ambiente é reduzir o desmatamento em 80% até 2020, mas para isso teremos que resolver alguns probleminhas econômicos. O principal deles é reduzir a pressão pela expansão da fronteira agrícola. Como fazer isso? Com tecnologia e camisinhas. A melhor tecnologia agrícola permitiria criar muito mais gado por hectare de pasto do que conseguimos hoje. A produtividade média de nossas pastagens é uma vergonha se considerarmos as melhores práticas disponíveis na pecuária moderna. Outro fato de valor simbólico para a causa ambiental é a presença de uma candidata ambientalista à presidência do Brasil bem colocada nas pesquisas. Ah, sim, as camisinhas ajudarão no controle da natalidade, outro fator de pressão sobre nossa agricultura.
Última atualização em Sáb, 02 de Janeiro de 2010 15:37
Retorno ao xamanismo
Sáb, 02 de Janeiro de 2010 15:28
Radamés Manosso
No meio da floresta, uma sociedade tribal cultua Eiwa, a grande divindade que mantém todos conectados em uma imensa teia de relações. Os nativos acreditam que as árvores são sagradas e que ao tirar a vida de um animal caçado é preciso desculpar-se com a criatura e agradecer a ela pelo alimento que irá prover. Os nativos são exímios arqueiros e vivem em harmonia com a natureza, mas são atormentados pelos seres que vieram do céu. Os estrangeiros chegaram em grandes máquinas voadoras, são tomados por uma ganância desenfreada e pretendem devastar a terra sagrada. Não, não se trata da história de alguma tribo da Amazônia. Falo sobre Avatar, o novo filme de James Cameron. Antes de Avatar, tivemos outros filmes que falam sobre a descoberta dos valores ‘primitivos’ pelo homem ‘moderno’. Dança com lobos, dirigido por Kevin Costner, tem um enredo parecido. Um soldado americano passa a viver em uma tribo indígena americana e tem sua visão de mundo completamente redesenhada. Em Avatar, a história se passa no futuro, no paradisíaco planeta Pandora. Os minérios de alto valor que estão no solo do planeta despertam a cobiça da espécie humana, que segundo Cameron, mesmo no futuro distante, continuará incorrigivelmente gananciosa. Geralmente, quando pensamos em contatos imediatos com extraterrestres, nos vem à cabeça seres tecnologicamente muito mais evoluídos do que nós. No planeta Pandora, os ETs estão em um estágio tribal de civilização, mas quem olhar com atenção vai perceber que realmente eles são muito mais evoluídos do que os humanos e suas super máquinas. James Cameron é um diretor da grande indústria do cinema. Folgo em ver que ele colocou em uma mega produção como Avatar ideias centrais da Antropologia. Os ‘primitivos’ azuis de Pandora nos mostram que tecnologia não é tudo e que recisamos recuperar o caráter sagrado da Natureza se quisermos nos reencontrar com ela.
Última atualização em Sáb, 02 de Janeiro de 2010 15:35
Doar é ecológico
Sáb, 02 de Janeiro de 2010 15:25
Radamés Manosso

Muitas pessoas exageram no consumo durante o Natal, mas também é nessa época que ficamos mais propensos à generosidade, o que é bom para o meio ambiente. A dica ecológica natalina é doar na mesma proporção que consumir. Doar é fraterno e ajuda o meio ambiente de várias formas. A doação amplia a vida útil de bens, evita o descarte antecipado e a armazenagem por longos períodos de coisas que poderiam ser úteis nas mãos das pessoas certas. Para que a doação seja realmente ecológica, porém, é preciso levar em conta algumas boas práticas, tais como: - Vida útil. O bem doado deve estar em boas condições de uso e com uma razoável vida útil pela frente. Não adianta doar o que já era. Nesse caso, envie você mesmo o bem para a reciclagem ou o restaure antes de doar. Siga o exemplo das pessoas que consertam voluntariamente brinquedos velhos doados para que tragam alegria a quem os recebe em vez de frustração.
- Baixa eficiência. Uma geladeira velha e mal conservada provavelmente tem consumo alto de energia. Quem receber esse aparelho vai gastar muito na conta de luz e pensando no meio ambiente seria melhor tirar definitivamente o trambolho de circulação.
- Transferência de mico. A indústria está sempre produzindo bens de utilidade duvidosa. Obviamente, bens desse tipo não deveriam ser adquiridos, mas se você embarcou nessa furada antes de doá-los, confira se o presente vai ser útil ao presenteado, caso contrário, você está apenas passando o mico adiante.
Se você preferir, pode vender o que já não tem utilidade na sua vida em vez de doar. De qualquer maneira o meio ambiente será beneficiado e você vai ajudar alguém, que comprará o bem por um valor baixo. Só não seja avaro, pois é tempo de Natal.
Última atualização em Sáb, 02 de Janeiro de 2010 15:40
Reunião de condomínio em Copenhague
Sáb, 26 de Dezembro de 2009 14:30
Radamés Manosso
Na semana passada terminou a maior reunião de condomínio do mundo. Os 193 condôminos presentes na COP-15 (Conferência da ONU para Mudanças Climáticas) reuniram-se em Copenhague e como geralmente acontece em reuniões de condomínio predominaram interesses mesquinhos, política rasa e nenhum acordo. O condomínio Terra continua à espera de reformas urgentes para continuar habitável. Por que não houve consenso se o condomínio dá sinais de colapso? Para começar, as regras da conferência inviabilizam qualquer possibilidade de acordo ao estabelecer que todos os 193 participantes têm que assinar o acordo para ele ser efetivado. De um lado temos grandes poluidores que não querem nenhum tipo de ameaça às suas economias; de outro pequenas ilhas do Pacífico que correm o risco de sumir com a elevação do nível dos oceanos. Entre os condôminos temos também grandes produtores de petróleo que serão reduzidos à insignificância se o mundo parar de queimar ouro negro; além de miseráveis que não tem mínima condição de participar de um esforço global pelo meio ambiente. Independente do fracasso da Conferência de Copenhague o combate ao aquecimento global de nosso condomínio permanece urgente e teremos que retomar a batalha em reuniões futuras, mesmo que muitas sejam necessárias e não adianta ter ilusão que essa guerra será ganha com poucos disparos. O saldo positivo da Conferência foi a grande mobilização da opinião pública. Embora os resultados tenham ficado muito abaixo das expectativas que as pessoas alimentaram em relação ao encontro o assunto tem que voltar à mesa de negociação porque os termômetros estão subindo.
Última atualização em Sáb, 26 de Dezembro de 2009 14:32
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