| Há apenas cem anos atrás, o automóvel era uma novidade e o transporte terrestre era feito principalmente por tração animal. Deslocar-se de um ponto a outro não era uma ação simples. Era preciso pensar bem antes de decidir por uma viagem. Os produtos tinham de ser consumidos próximo ao local em que eram produzidos, pois o transporte encarecia demais o preço e tornava proibitiva a circulação da maioria das cargas por longas distâncias. Em menos de cem anos, o transporte a cavalo, em carroças ou em lombo de burro, utilizado por milhares de anos, tornou-se economicamente desprezível e deu lugar ao transporte com máquinas movidas por combustível fóssil ou por energia elétrica. Transportar pessoas e cargas ficou barato. Como resultado, temos deslocamentos excessivos. As pessoas rodam muitos quilômetros diariamente, viajam muito mais do que no passado e as cargas são transportadas por grandes distâncias sem maiores preocupações. O uso abusivo do transporte tem um peso grande no aquecimento global, pois a queima de combustíveis fósseis nos motores lança gases de carbono na atmosfera em grandes quantidades. A poluição urbana também está muito ligada à circulação de veículos motorizados. Muitas cidades estão tomando medidas drásticas para reduzir a circulação de veículos. São Paulo, por exemplo, adota o rodízio de carros que impede a circulação de parte da frota a cada dia da semana. Tudo isso para reduzir a poluição, os engarrafamentos e o aquecimento global. Não há dúvida que reduzir a movimentação de pessoas e cargas é uma das metas mais importantes a favor do meio ambiente e para atingir metas de redução, será preciso mudar hábitos, alterar práticas de mercado; enfim, será necessária uma revolução cultural. Aqui, vamos nos preocupar com as mudanças que podem ocorrer em nível individual. Circule menos e viva melhor. | |