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omes invertidos. Na Áustria tem um tal Partido da Liberdade com orientações nazistas. Meu
professor de História contava que no Brasil império o Partido
Conservador era liberal e o Partido Liberal era conservador. Hoje,
temos um partido social democrata no governo que pratica política
neo liberal.
Um escritor que percebeu estes probleminhas com os nomes foi o George
Orwel. No seu romance 1984 ele criou o Ministério da Paz, cuja
função era fomentar a guerra. Mas nem só na política os nomes
apresentam probleminhas. Quem disse que os naturalistas eram
naturais? que o poema concreto é mais concreto que qualquer outro?
ou que todos os realistas retratam a realidade?
Nomes novos para coisas velhas.
Quando uma coisa está desgastada, ou foi criada pela administração
anterior nada melhor que lhe mudar o nome. Se me lembro bem foi o
Brizola quem criou primeiro aquelas escolas de tempo integral
chamadas de CIEPs (é isso?). Depois veio o Collor com uma idéia
semelhante e deu o nome de CAICs. (é isso?). E pelo Brasil afora
foram surgindo CAIAQUEs, CIATEs e sei lá mais o quê. Na educação,
tínhamos o Colegial que virou Segundo Grau e agora é Ensino Médio. E
nas empresas então: empregado, virou funcionário e agora é
colaborador. Mas o salário...
Nas ciências humanas quantas teorias fazem
sucesso só mudando os nomes das noções. Continuo no exemplo da
educação. Aluno virou educando. Educação virou processo de
ensino-aprendizagem. Professor passou a facilitador.
Conclusão: se você não tem nada a dizer mude
o nome das coisas já ditas. Pode render até um novo movimento
literário.
Nomes politicamente corretos. Entre
os que gostam de mudar nomes que estão quietos merece uma atenção
especial a turma dos politicamente corretos Lá nos EUA, o negro
agora é cidadão afro-americano e bombardeio virou operação de
suporte aéreo.
Aqui no Brasil não faltam politicamente
corretos. Um exemplo literário: Há anos atrás a mulher que fazia
poemas era chamada de poetisa. Era normal chamar a Cecília Meireles
de poetisa. Mas aí apareceu alguém para achar que a palavra poetisa
carrega um não sei quê de machismo. Agora o politicamente correto é
chamar a Cecília Meireles de poeta, para que fique bem caracterizado
que a poesia independe do sexo do autor. Ninguém chama a Rachel de
Queiroz de escritor, a Gal Costa de cantor, ou a Fernanda Montenegro
de ator. Mas a Adélia Prado não pode ser chamada de poetisa. Agora
ela(e) é poeta. Virou anjo. Mas os anjos têm sexo? |