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ecentemente começaram a pipocar na mídia
discussões acerca do futuro do livro diante das novas mídias como a
Internet e os ebooks readers (livros eletrônicos). A turma do deixa
disso diz que as mídias informatizadas não vão acabar com o livro,
assim como a TV não acabou com o rádio e o telejornal não acabou com
o jornal impresso. Talvez essas pessoas não estejam observando os
fatos na sua real profundidade. Lembremos que a telenovela extinguiu
a novela de rádio e o telejornal obrigou o jornal impresso a rever
toda a sua filosofia, passando de fonte de notícias em primeira mão
para fonte de aprofundamento da notícia.
Quando o assunto é mídia eletrônica versus
livro não vamos ser ingênuos de pensar que todos os livros vão
desaparecer, mas com certeza muitas das funções do livro hoje
passarão a ser cobertas com mais eficiência pela mídia digital num
futuro breve. A mídia digital não compete com o livro de arte, por
exemplo, onde se deseja qualidade fotográfica, nem com trabalhos de
editoração mais artesanais. Mas a mídia digital se sai muito bem
como veículo para uma infinidade de informações culturais
tradicionalmente acondicionadas no livro.
Por enquanto, a discussão se mantém num
patamar mais romântico. Os defensores do livro de papel crêem que
ele é mais confortável para a leitura, que se pode- usá-lo deitado
debaixo de uma árvore no parque. Dizem que adoram o contato das mãos
com a folha de papel e que não conseguem ler algo que não conseguem
pegar. Por outro lado acham que ler num monitor estraga a vista e
que o computador é muito complicado de usar. O fato que a questão a
considerar não é esta. Hoje há ebooks readers que permitem uma
leitura confortável debaixo daquela árvore do parque e o leitor pega
o seu notebook nas mãos do mesmo modo que pegaria um livro.
A questão do livro digital é mais complexa e
balança todo o ecossistema da produção cultural. Vamos por partes:
Em primeiro lugar está o interesse maior da
disseminação da cultura. Pouco importa se Machado de Assis será lido
em papel, na tela, em CD ou coisa que o valha. O importante é que
ele seja mais lido do que é hoje. E para disseminar a cultura uma
boa idéia é ampliar os canais de divulgação e baixar os custos da
produção cultural.
O livro digital não consome papel, nem
tinta, nem embalagens, nem estantes, e com isso se economiza um
bocado de recursos do meio ambiente. Se o leitor paga dez dólares
por um livro de papel poderia pagar menos da metade pelo mesmo livro
em formato digital. Outras vantagens: edição digital não se esgota.
Edição digital não precisa de errata. Edição digital pode usar e
abusar de recursos de editoração, sem ficar presa ao espartano
monocromático sem fotos do livro econômico convencional.
Agora um outro aspecto: o impacto da mídia
digital na cadeia da produção do livro. A obra digital atinge em
cheio os interesses comerciais do autor, do editor, da gráfica, do
distribuidor e do livreiro.
O autor terá que conviver com uma mudança de
aspecto na problemática do direito autoral, que não desaparece com a
mídia digital, pelo contrário, só se aprofunda.
O editor terá que se adaptar a uma nova
realidade de comércio eletrônico e se preparar para a possibilidade
de muitos autores editarem e comercializarem seus livros virtuais
sem a figura do editor.
Quanto à gráfica, à distribuidora e à
livraria, nem precisamos comentar o destino desses.
Não adianta ficar alheio. A onda da mídia
digital vai varrer o mercado do livro com muitas vantagens para o
autor e o leitor. Não se trata do livro, mas do que ele contém. A
luta tem que ser pela cultura e o papel não é a cultura, assim como
não eram o pergaminho ou o papiro. |