O colecionador 2/2
Posted in O homem de ouro on setembro 22nd, 2008 by radames— Borboletas.
— O quê?
— Borboletas. De todos os tipos. Tenho centenas.
— Não acredito.
— Pode crer. É verdade.
— Não acredito que você seja capaz de uma coisa dessas.
— Ora. O que é que tem?
— Como você pode tirar a vida de um bichinho tão delicado e indefeso?
— Mas o que é que tem? Tem tanta borboleta pelo mundo. Algumas chegam a ser praga.
— Não interessa. Você já perguntou o que a borboleta acha de virar peça de coleção?
— Borboleta não pensa, ora.
— Justamente. Também não fala. Não tem defesa.
— Espere aí. E os teus cadáveres dentro das geladeiras? Eles falavam.
— É diferente.
— Não sei em quê.
— Os cadáveres não eram inocentes. Não tinham a pureza de uma borboleta. O bicho homem é diferente.
— Olhe, quer saber de uma coisa? Fique aí com teus cadáveres que eu vou pra minha casa ficar com minhas borboletas.
O colega de Paranhos se retira. Paranhos anda pela sala com as mãos na cintura. Toca os gavetões como quem tem algum vínculo sentimental com eles. Paranhos:
— Até borboletas.