Jogo de xadrex 3/3

Posted in El justicero on outubro 1st, 2008 by radames

O suspeito se remexe na cadeira. Analisa o lance e sai do xeque. Depois, fala:
—Você deve estar acompanhando o meu caso pela imprensa.
— Sim. Estou acompanhando seu caso, mas não pela mídia.
— Então você sabe que as acusações contra mim são baseadas apenas em provas circunstanciais. Ninguém apresentou nenhuma prova convincente contra mim.
Vladimir não responde. Apenas se concentra no jogo. O suspeito continua:
— Não sei porque me escolheram para Cristo. Tem tanto crime acontecendo todo dia por aí.
— As pessoas têm uma curiosidade mórbida por crimes hediondos.
O suspeito permanece em silêncio. Vladimir complementa:
— Eu, por exemplo, tenho curiosidade em saber o que o assassino pensou na hora do crime. Fico imaginando se ele se divertiu com o que fez.
O suspeito mantém o silêncio.
— A garota era linda. O assassino deve ter tido bons momentos com ela. Ao modo dele, claro. Não concorda?
O suspeito se concentra no jogo.
— Eu gostaria de ouvir o relato do assassino sobre como o crime aconteceu. Gostaria de saber tudo detalhadamente. Acredito que ele relembra a cena sempre que se pega sozinho. Pena que ele não possa compartilhar isso com ninguém.
O suspeito não diz nada, mas perde a concentração no jogo. Vladimir dá um lance e continua.
— Às vezes eu penso: cometer um crime desses é como roubar uma obra de arte do museu. Você tem o quadro com você, ele vale muito, mas não pode mostrar para ninguém. O quadro fica trancado em um quarto escondido. Só o criminoso vai lá de vez em quando para apreciar sua obra.
Um longo silêncio se segue. Vladimir acrescenta:
— Você não sentiria vontade de contar o que fez, se aquilo que fez o marcou muito? Principalmente se aquilo foi especial e inesquecivelmente excitante?
O suspeito rompe o silêncio:
— Não entendo o que você está dizendo.
— Ah, eu acredito que entende. Se você me contasse agora o que aconteceu entre você e a garota, ficaria tudo entre nós. Eu não teria como usar isso contra você. Seu advogado alegaria que você falou porque estava sob a ameaça de outro louco como você.
— Não vou contar nada a você, panaca.
— Vai guardar tudo para você? Não vai dividir sua experiência inesquecível com ninguém? Foi excitante demais, não foi?
O suspeito mantém o silêncio.
— Eu vi as fotos da cena do crime. Confesso que senti arrepios. Você foi cruel, cara, muito cruel.
O suspeito esboça um sorriso, mas se contém em seguida e move uma peça no tabuleiro. Vladimir continua.
— Eu me pergunto se faria algo como aquilo que você fez. Concluo que não tenho coragem. Falta-me sangue frio e imaginação. E isso você tem de sobra, não é mesmo?
O suspeito olha para Vladimir por um momento e depois para o tabuleiro. Vladimir:
— Adoraria saber como ela reagiu na hora.
— Mesmo?
— Sim. Muito.
O suspeito hesita um instante e depois diz:
— Não, não posso. Deixa para lá.
O suspeito move mais uma peça no jogo. Vladimir olha para ele e depois para o tabuleiro. Move a rainha e anuncia:
— Xeque mate.
O suspeito olha para o tabuleiro surpreso como quem recobra a atenção depois de um devaneio. Confere o lance com semblante contrariado e quando olha de novo para Vladimir, já o encontra em pé empunhando a pistola. O criminoso tenta se levantar, mas cai no chão fulminado por uma bala no peito.

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Jogo de xadrez 2/3

Posted in El justicero on setembro 29th, 2008 by radames

Vladimir aponta o caminho para o suspeito.
— Entre na casa. Vamos passar a noite aqui.
— Eu não quero ficar aqui. Você tem que me levar para a delegacia.
— Pensei que você quisesse distância da cadeia.
— Eu só quero ficar a salvo dos loucos que estão a fim do meu couro.
Os dois entram na sala da pequena casa de campo que tem uma mobília rústica. O suspeito se volta para Vladimir e pergunta:
— Você é da polícia?
— Sou da Justiça.
— Isso não está me cheirando bem. Não quero ficar aqui.
O suspeito toma a direção da porta, mas Vladimir tira o revólver da cintura e aponta para ele.
— Você não vai a lugar nenhum. Sente-se nesta cadeira.
Vladimir pega um par de algemas e prende o pulso esquerdo do suspeito a um olhal fixo em um pilar de madeira da casa.
— O que você quer comigo?
Vladimir pega outra cadeira e senta-se em frente ao suspeito.
— Quero apenas conversar com você.
O suspeito mantém silêncio por um tempo e depois dispara:
— Você é parente da vítima.
— Já lhe disse, sou da Justiça. E a justiça deve ser neutra. Não pode ser feita pelas partes interessadas. Garanto a você que não tenho nenhuma relação com a vítima.
— Eu não sei o que estou fazendo aqui. Estou sendo acusado de um crime. Não existem provas contra mim, mas parece que todos querem meu fim. Eu tenho direito a um julgamento justo, a um advogado.
Vladimir aguarda um momento e então responde ao suspeito:
— Para a Justiça, para a verdadeira Justiça, não vem muito ao caso se existem provas contra você, se você tem um bom advogado ou se o seu julgamento foi justo. Só importa mesmo se você é inocente …. ou culpado.
O suspeito esboça um sorriso, mas se contém e replica:
— A verdadeira Justiça. Não sei bem do que você está falando. O que eu sei é que você está me mantendo cativo ilegalmente e isso é contra a lei. Eu tenho meus direitos e acho bom você me soltar agora senão a coisa pode ficar preta para você.
Vladimir abre a gaveta da mesa próxima e retira uma pequena caixa de madeira. Enquanto monta as peças do jogo responde com calma ao suspeito:
— Você é inteligente e nós temos tempo. A noite pode ser longa. Eu lhe proponho o seguinte: vamos aproveitar o tempo e jogar um pouco.
— Não estou com vontade de jogar.
Vladimir acrescenta:
— O jogo é simples. Se você der xeque-mate estará livre para sair por aquela porta.
— E se eu perder?
— Terei que entregá-lo à Justiça.
Vladimir arma o tabuleiro, arrasta a mesa para próximo dos dois e dá o primeiro lance. O suspeito fica em silêncio por um longo período. De vez em quando, olha para Vladimir que mantém um semblante inexpressivo. Enfim, o suspeito move uma peça no tabuleiro. Os dois permanecem jogando em silêncio. O jogo avança até que o suspeito finalmente fala:
— Eu sou inocente.
Vladimir não diz nada. O suspeito continua.
— Não há provas contra mim. Tenho ficha limpa. O que estão fazendo comigo é linchamento. Nem fui julgado e querem acabar comigo. Ninguém conseguiu provar nada contra mim até agora.
Vladimir ouve, mas mantém a concentração no tabuleiro. O jogo prossegue equilibrado.
O suspeito volta a falar:
— Minha vida está um inferno. Sou pré-julgado. Não posso sair na rua. Perdi meus amigos, as pessoas me tratam como um monstro. Tem horas que penso que seria melhor se …
— Se …
— Se aquele povo entrasse na minha casa e acabasse com tudo de uma vez.
— Linchamento não é Justiça. Não se faz justiça com emoção.
— Você tem razão. Talvez eu esteja enganado a seu respeito. Eu devia agradecer a você por me salvar a vida.
— Não é necessário. Não me custou nada e sua vida não representa nada para mim.
— Você também já me condenou, não é mesmo? Como todos. Você é mais um boi na manada.
Vladimir não diz nada e continua jogando. Depois de um tempo, o suspeito retoma a conversa.
— Eu não matei aquela vadia. Sou uma pessoa de bem e minha família está do meu lado. Somos gente com nome a zelar.
— Ela era uma vadia?
O suspeito hesita por um instante.
— Era. Não valia nada, mas não fui eu quem a matou. Ela pode ter enganado todo mundo, mas não a mim. Ela não prestava.
Vladimir dá um lance e concorda com o suspeito.
— Sou obrigado a concordar com você. Algumas pessoas só ocupam espaço e consomem energia.
O suspeito complementa exaltado.
— Sim. Esse mundo está cheio de tralhas que não valem nada. São poucas as pessoas de bem.
— Não sei quanto a você, mas penso que essas pessoas não fazem falta a ninguém. Quem vai chorar por elas? Que diferença elas vão fazer quando partirem?
— Concordo.
Vladimir se concentra no lance, move uma peça e anuncia:
— Xeque.

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Jogo de xadrez 1/3

Posted in El justicero on setembro 27th, 2008 by radames

O suspeito caminha de um lado para o outro da sala e diz nervoso apontando para o advogado.
— Você tem que me livrar dessa. Pago você para isso. E pago muito bem.
— Estou fazendo o possível, mas a sua situação está complicada. Há muitos indícios contra você.
Enquanto os dois falam, uma pedra é arremessada contra a janela da sala. A pedra e os estilhaços de vidro se espalham pelo piso.
— Que diabos. Onde está a polícia? Você não chamou os caras?
— Já chamei. Eles virão logo.
— Acho bom porque aquela turma lá fora está ficando perigosa.
Do lado de fora da casa, um grupo de pessoas agitadas se concentra no portão da casa e xingam o suspeito aos gritos de “assassino”.
O suspeito observa o grupo por uma fresta da cortina enquanto o advogado sentado no sofá olha para o relógio a todo instante. O suspeito fica gradativamente mais exaltado.
— Temos que sair daqui. Esse bando logo vai entrar aqui para me linchar.
— Logo a polícia estará aqui.
— Acho bom mesmo. Esses incompetentes nunca estão onde são necessários.
O suspeito, que espiava pela janela, olha para trás e se assusta:
— Ei, quem é você? O que está fazendo dentro da minha casa?
Vladimir que estava encostado na porta da cozinha intervém:
— Eu vim tirar você daqui.
O advogado se levanta e pergunta a Vladimir:
— Quem é você?
— Sou da Justiça. Estou encarregado de tirar ele daqui antes que seja tarde.
O advogado questiona:
— E onde estão os outros? Veio só você? Como entrou aqui?
— Entrei pelos fundos para não chamar a atenção. Meu carro está lá atrás. Vou levar ele para lugar seguro.
— Isso não me parece uma boa idéia. Meu cliente …
Enquanto o advogado falava outras pedras são arremessadas contra a janela e alguém começa a forçar a maçaneta da porta. O suspeito reage:
— Meu Deus do céu. Eles estão na porta. Vão acabar comigo.
Vladimir cobra uma posição dos dois:
— Como é? Você vem comigo ou vai ficar aqui para virar carne para os cachorros?
Lá fora, os gritos aumentam. Xingam o suspeito, chamam-no de assassino e começam a pedir pelo seu linchamento.
O advogado fala ao seu cliente:
— Acho que você não tem escolha. Vá com o policial que eu encontro vocês na delegacia.
Vladimir conduz o suspeito pelos fundos da casa. Com as luzes apagadas, os dois passam pelo quintal, pulam o muro e vão até o carro de Vladimir estacionado embaixo de uma árvore.
— Você vai dentro do porta-malas.
— Qual é cara? Não vou não.
— Você prefere ir no banco de trás? Terei que passar no meio daquela turma lá fora. Eles podem reconhecer você.
— Ok. Você me convenceu.
O suspeito entra no porta-malas e Vladimir conduz o carro passando pela turba de linchadores que nesse momento está invadindo a casa do suspeito. Algumas quadras adiante, Vladimir cruza com três viaturas da polícia que seguem em disparada com sirenes ligadas na direção da casa do suspeito.
Vladimir dirige rápido pelas ruas e começa a se afastar da cidade. Vladimir escuta o suspeito se debatendo dentro do porta-malas querendo explicações sobre o que está acontecendo. Vladimir ignora a agitação do suspeito e pensa que teria sido melhor se o tivesse algemado e amordaçado. Depois de mais de uma hora rodando, Vladimir chega a uma chácara nos limites da cidade, encosta o carro próximo à casa e abre o capô do porta-malas. O suspeito reclama:
— Mas que diabo. Estou há horas chacoalhando nesse porta-malas.
O suspeito logo percebe que algo está errado.
— Ei, cara. Isso aqui não é a delegacia.

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Reality show 3/3

Posted in El justicero on setembro 24th, 2008 by radames

Sexta-feira, 23:38
No carro, Vladimir fala para a garota que segura o notebook no colo e observa intrigada a imagem da webcam. Vladimir a interroga:
— Sua amiga está aí na webcam. A questão é onde está essa webcam.
— Quem é você? Algum doido? Você é da polícia?
— Sou o seu anjo da guarda, bela. Temos pouco tempo para chegar até a sua amiga Princesa. Como é o nome verdadeiro dela?
— Paula. Ela se chama Paula. Nós somos amigas e dividimos o apartamento. Onde essa doida se meteu?
— Garanto a você que ela corre risco e você tem que me ajudar.
— Seu doido. Eu conheço essa maluca. Ela já fez isso. É uma sessão, cara. Não sei porque está passando no seu computador. Mas se você está com essa imagem no seu computador você tem a ver com isso. Quem é você, afinal? Eu já conheci uns caras pervertidos, mas você parece que é doente além da conta.
Vladimir pega a garota pelo braço e pergunta olhando nos olhos dela.
— Vou lhe explicar só o que for necessário para ajudar sua amiga Paula. Diga para mim aonde ela iria hoje.
— Ela ia sair com um cara. Pelo que estou vendo saiu mesmo.
— Se você está com o celular dela, ela deve estar com o seu. Qual é o seu número?
Vladimir liga para o número dado pela garota. Ninguém atende. No computador, Vladimir consulta outra janela do micro. O sistema faz a triangulação da chamada e Vladimir diz para a garota:
— Ela está na zona norte agora. Isso lhe diz alguma coisa?
— Não, mas a imagem da webcam me diz.
— Diz o que?
— Aquelas coisas penduradas na parede atrás dela. Tá vendo as correntes e o chicote? Eu já vi isso. É uma masmorra que fica em uma casa de shows. Eles davam festas lá. Acho que fechou no ano passado.
— Você tem certeza? Onde fica essa casa?
A garota se mantém em silêncio. Vladimir entende e conduz o carro em velocidade rumo à zona norte.

Sexta-feira, 23:59
Vladimir dirige em silêncio pisando fundo no acelerador. A garota acompanha as imagens da webcam.
— Meu Deus. Um cara entrou na sala.
Vladimir olha com o canto do olho e acelera mais.
— Calma, seu louco. Vai nos matar dirigindo desse jeito. Onde essa menina se meteu? Essa é doida mesmo. Fazer uma sessão transmitida pela webcam.
Vladimir percebe um esboço de sorriso no lábio da garota. Com asco, Vladimir olha pela janela tentando se controlar. Depois de um silêncio longo, a garota solta um grito.
— Ai, meu Deus. Esse negócio está ficando sinistro. O cara está mostrando uma faca para a câmera.
Vladimir murmura:
— Você esperava algo diferente?
Com as mãos escondendo o rosto a garota murmura:
— Ele vai riscar ela com a faca, meu Deus.
Vladimir baixa a tela do laptop e pede à garota:
— Temos pouco tempo, preste atenção na estrada. Tente lembrar do caminho.

Sábado, 00:46
A garota olha para a rua e diz:
— É aqui. Tenho certeza. É essa a casa. Já vim aqui antes, mas faz tempo. Vou ligar para a polícia.
Vladimir toma o celular da mão da garota.
— Sem polícia. Eles não vão resolver esse problema.
A garota olha para a tela.
— Seu louco. Veja o que o cara está fazendo com ela. Precisamos da polícia aqui.
Vladimir sai do carro e diz pela janela para a garota.
— Fique aqui. Não mova um músculo.
A casa é grande e aparenta estar desocupada. Apenas a luz do poste da rua ilumina a fachada imponente. Vladimir entra na casa por uma porta lateral e se guia no ambiente pela pouca luz que entra pelas janelas. Vladimir percorre o local e verifica as portas uma a uma. Quando chega a uma porta mais ao fundo encontra resistência. Ela está trancada e Vladimir tem a impressão de ter escutado algum barulho vindo do outro lado. Vladimir encosta o ouvido na porta, mas o barulho cessou. Vladimir toma impulso e se arremessa contra a porta que resiste ao primeiro golpe e se escancara na segunda tentativa. Vladimir salta para dentro da sala com a pistola na mão e vê a garota ensangüentada amarrada no cavalete tentando gritar sem conseguir por causa da mordaça. Vladimir tenta localizar o Lord, mas antes disso sente uma pancada na mão que faz a sua arma cair no chão. Lord o ataca pelas costas e os dois começam uma luta corporal violenta. A luta se estende por vários minutos. A câmera capta a luta selvagem dos dois homens. Lord leva vantagem porque é mais habilidoso e consegue jogar Vladimir no chão. Lord segura uma faca e tenta acabar com Vladimir. Com a faca no pescoço de Vladimir, Lord sorri:
— Não sei quem você é, mas agradeço o tempero especial que trouxe ao reality show de hoje.
Antes de terminar a frase, Lord ouve um barulho de correntes e olha rapidamente para trás. A garota havia colocado a corrente em volta de seu tornozelo e começa a puxar a carretilha. Antes de poder reagir, Lord recebe um puxão pelo tornozelo e se desequilibra. A garota manobra a carretilha com todas as forças içando Lord aos poucos.

Sábado, 01:00
Vladimir observa Lord pendurado pelos pés como um animal no matadouro. A garota ajoelhada no canto do quarto grita histérica:
— Acabe com ele agora.
Vladimir olha para a faca sobre a mesa.
A garota solta Princesa do cavalete e as duas ficam no chão abraçadas e chorando. Lord ri da cena e fala para Vladimir:
— O que você vai fazer agora? Vai atender aos pedidos da platéia? Você é da polícia, não é? Tem que fazer tudo como manda o figurino. Acha que vai provar alguma coisa contra mim?
Vladimir fica paralisado e pensativo. Lord ri novamente.
— Seu moralista de bosta. O que está fazendo aqui? Isso não é para você seu covarde. Você não tem coragem para matar uma galinha.
Na tela do computador, entra uma mensagem de texto:
— Por favor, acabe com ele lentamente. Não tenha pressa.
Lord fala com ironia para Vladimir:
— Você vai comandar o show agora? Você não consegue. Não vai fazer nada diante do público.
Vladimir vai até a mesa e pega a faca. Pensa um instante e toma a decisão. Primeiro cobre a câmera com um pano e depois passa a lâmina pela garganta de Lord of Darkness.
Vladmir permanece em pé imóvel, atordoado enquanto o sangue purificador da justiça escorre abundante do pescoço do Lord. Vladimir nem consegue reagir quando as duas garotas se aproximam rastejando e se põem a beijar seus pés. Na tela, a última mensagem de texto.
— Eu quero ver. Paguei para ver.

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O colecionador 2/2

Posted in O homem de ouro on setembro 22nd, 2008 by radames

— Borboletas.
— O quê?
— Borboletas. De todos os tipos. Tenho centenas.
— Não acredito.
— Pode crer. É verdade.
— Não acredito que você seja capaz de uma coisa dessas.
— Ora. O que é que tem?
— Como você pode tirar a vida de um bichinho tão delicado e indefeso?
— Mas o que é que tem? Tem tanta borboleta pelo mundo. Algumas chegam a ser praga.
— Não interessa. Você já perguntou o que a borboleta acha de virar peça de coleção?
— Borboleta não pensa, ora.
— Justamente. Também não fala. Não tem defesa.
— Espere aí. E os teus cadáveres dentro das geladeiras? Eles falavam.
— É diferente.
— Não sei em quê.
— Os cadáveres não eram inocentes. Não tinham a pureza de uma borboleta. O bicho homem é diferente.
— Olhe, quer saber de uma coisa? Fique aí com teus cadáveres que eu vou pra minha casa ficar com minhas borboletas.
O colega de Paranhos se retira. Paranhos anda pela sala com as mãos na cintura. Toca os gavetões como quem tem algum vínculo sentimental com eles. Paranhos:
— Até borboletas.

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