A boa e velha justiça com as próprias mãos
Sáb, 02 de Maio de 2009 01:47
Radamés Manosso
Nos últimos tempos assisti a três filmes particularmente violentos e interessantes: Os reis da rua, Sentença de morte e Valente. O tema comum aos três filmes é a justiça com as próprias mãos. Em cada um deles, os personagens se envolvem profundamente na violência urbana. Em Valente, a personagem de Jodie Foster é vítima de espancamento brutal. Em Sentença de Morte, o personagem de Kevin Bacon tem o filho assassinado por uma gangue urbana. Em Os reis da rua, Keanu Reeves interpreta um policial que resolve seus casos segundo seus próprios métodos. A violência não é uma novidade no cinema, nem tampouco a justiça com as próprias mãos. Quem já assistiu aos velhos westerns sabe que no oeste longínquo a única maneira de fazer justiça era com um revólver na mão. Fico pensando a quem faz bem esse tipo de filme: ao roteirista, ao diretor ou ao espectador? Creio que a todos. É isso mesmo que eu disse: esses filmes fazem bem. Por que? Simplesmente porque abrem uma válvula de escape no alto da cabeça do cidadão que assiste pela TV diariamente o fracasso da Justiça oficial em resolver a violência urbana. E a justiça com as próprias mãos resolve alguma coisa? Boa pergunta. Quem sabe assistindo a alguns bons filmes sobre o assunto, ajude formar opinião a respeito.
Última atualização ( Sáb, 02 de Maio de 2009 13:46 )
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A de anarquia, T de terror
Sáb, 02 de Maio de 2009 01:45
Radamés Manosso
O símbolo usado no filme V de Vingança é um traço nervoso da letra V dentro de um círculo. Basta girar o símbolo para ele ficar parecido como o A de anarquia que foi pichado em tantos muros pelo movimento anarquista. Eu sei que estou atrasado com o meu comentário porque o filme foi lançado em 2006, mas como eu sou apenas um cinéfilo amador posso me conceder algumas liberdades. Uma delas é a de assistir à maioria dos filmes apenas quando eles chegam à locadora. À primeira vista, trata-se de mais versão para as telas de um sucesso das histórias em quadrinhos. Ele apresenta inclusive o clássico problema dos heróis mascarados: ficamos privados das expressões faciais do ator. Eu não gostei do filme, mas isso não é um empecilho para eu reconhecer que é uma obra importante. Por que? Porque traça a visão entusiasmada e fundamentalista de uma parcela significativa da população. Porque faz a glamourização descarada do terror e, infelizmente, há muitas pessoas que acham que o terror é a grande solução para os grandes problemas. É impossível não associar a apoteótica explosão do final do filme à queda das torres gêmeas de Nova York. V de Vingança é o elogio da destruição simbólica, é a legitimação do terror como vingança. T de terror. Mas o que é o terror? Bem, vamos parar por aqui porque o assunto pode ficar filosófico e deprimente.
Última atualização ( Sáb, 02 de Maio de 2009 13:42 )
Um bom vinho ou um bom filme
Sáb, 02 de Maio de 2009 01:43
Radamés Manosso
As coisas boas da vida podem ser desfrutadas a preços muito variados. Ser surpreendido no meio do dia por uma pancada de chuva com sol é grátis. Caminhar pela rua XV de Novembro em Curitiba em uma madrugada fria também não custa nada (para quem mora em Curitiba, pelo menos). Outras coisas dependem de numerário. Veja que comparação interessante pode ser feita entre filmes e vinhos. - Garrafa de vinho mata rato: R$ 5,00
- Garrafa de vinho de ótima qualidade: R$ 50,00.
- Garrafa de vinho francês grand cru: R$ 500,00
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Aluguel de filme ruim que só a peste: R$ 5,00. -
Aluguel de filme de alta qualidade: R$ 5,00. -
Aluguel de filme obra prima seis estrelas: R$ 5,00. Não saberia dizer o que vale mais: apreciar um grand cru francês ou assistir a uma obra prima do cinema. O que sei é que a diferença no bolso é definitiva e que cada uma das opções pode ser inesquecível ou insignificante dependendo da conjunção de astros que vigora no dia em que você reservou para elas. Por isso, caro leitor que inicia mais um ano, lembre que para cada uma das coisas boas e caras da vida, existe pelo menos uma outra igualmente ótima e baratinha, talvez gratuita.
Última atualização ( Sáb, 02 de Maio de 2009 13:42 )
Sou tropa de elite
Sáb, 02 de Maio de 2009 01:35
Radamés Manosso
É irônico, mas o filme Tropa de Elite, que bate duro na corrupção brasileira, fez o maior sucesso nas bancas dos camelôs antes mesmo de seu lançamento no cinema. Estima-se que mais pessoas assistiram ao filme em DVD pirata do que nos cinemas. Eu, que assisti no cinema, estou me sentido na tropa de elite dos espectadores. Não é fácil ser honesto quando o assunto é pirataria. Para assistir a um filme com a família toda (quatro pessoas, sendo duas estudantes) é preciso desembolsar mais de R$ 40,00. Na banca do camelô da esquina, o DVD pirata custa R$ 5,00. O “sistema” cria toda uma máquina de sedução em favor da pirataria. Somente consumidores que passaram por um rigoroso treinamento para endurecer o caráter é que resistem ao assédio da pirataria. É faca na caveira e nada na carteira, mano.
Última atualização ( Sáb, 02 de Maio de 2009 13:41 )
Títulos and titles
Sáb, 02 de Maio de 2009 01:32
Radamés Manosso
Traduções podem ser surpreendentes. Às vezes empobrecem o texto original. Dizem que essa é a possibilidade que ocorre com maior freqüência. Em outros casos, fazem o texto original parecer melhor do que realmente é. E há os casos em que a tradução é independente a ponto de não ter quase nada a ver com o original. Veja alguns títulos de filmes só para ilustrar a idéia. Em itálico, o título original e entre parênteses uma tradução mais literal. A primeira noite de um homem The graduate (O diplomado) Crepúsculo dos deuses Sunset Boulevard (Bulevar do pôr do sol). O original faz referência à famosa avenida de Hollywood. Duelo de titãs Last train from Gun Hill (Último trem de Gun Hill) Gun Hill é uma localidade onde acontecem cenas do filme. O destino bate à sua porta The postman always rings twice (O carteiro sempre toca duas vezes) Os brutos também amam Shane (Nome do personagem principal) Meu ódio será sua herança The wild bunch (O bando selvagem) Rastros de ódio The searchers (Os procuradores ou Os buscadores). Sete homens e um destino The magnificent seven (Os sete magníficos) Três homens em conflito Il buno, il brutto, il cattivo (O bom, o mau e o feio) Vidas amargas East of Eden (A leste do Éden) O meu favorito é Rastros de ódio. Ainda está para aparecer um título melhor que esse. Não tem quase nada a ver com o original, mas sintetiza o filme. Filosófico, profundo. Aliás, os títulos brasileiros de westerns são muito inspirados, um caso a parte realmente.
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