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Um paísBrasil,Brasil que me pariu, eu sou você e você é mil, é mais, é quantos? é tantos, quantas caras, tantos tipos, muitos jeitos, quantos ritos. Brasil, que eu faço e que me faz. Que vai a mil para o ano dois mil. Para onde, Brasil? se a inflação explodiu, se o ministro caiu, o corrupto fugiu, o emprego sumiu. A rebelião no presídio, uma chacina no vídeo, o genocídio do índio, um desempregado comete suicídio. O milagre gorou, o ufanismo acabou, o progresso parou, o povo chorou, a grande obra ficou pelos alicerces. Um pivete na rua, a realidade crua e o homem na lua. Para onde, Brasil? Brasil de matas e queimadas, de ouro e de trapaças, de alegrias e desgraças, sob um céu de anil, no Brasil varonil, que amor, que sonhos, que flores, numa terra de tantos primores, debaixo de palmeiras onde canta o sabiá. Pra onde, Brasil? Terra de Santa Cruz, Terra de Vera Cruz, da minha, da tua, da nossa cruz. Para onde? Pra quando? Pra quem? se ordem não tem, se o progresso não vem, se o sabiá já não canta na palmeira que já não há. Pra quem? Pra quando? Pra onde? me diga, Brasil, se Deus é brasileiro, se teu céu tem mais estrelas, se não verei país nenhum como este. Sem resposta você segue, Brasil, mesmo no escuro, mesmo contra o muro, mesmo levando murro. Brasil, não me engano, não me ufano, não reclamo. Amo e assumo.
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