faces

bicho urbano

Águas em junho

Da janela do apartamento assisto

a morte dos sonhos frágeis.

Um a um despencando pela sacada.

É junho e meu coração em desatada sangria,

como estas águas frias

correndo nas ruas.

Neste tempo de frio e águas

meus sonhos sumindo na sarjeta,

se dissolvendo nas águas.

Em junho os sonhos se vão.

Não todos, apenas sonhos vãos.

Versos e versos se perdendo pelo vento,

que me importa.

A quinta essência escorrega da janela

e se arrebenta no asfalto.

Adeus sonhos transcendentes.

Recomeço com coisas simples e realizáveis.

Não realização fácil, mas palpável.

Abro os braços ao mundo do imediato.

Coisas simples:

amor e vida sem tormentos,

emoções simples, só e simplesmente.

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