Caminho pela rua ao
final da tarde.
Numa banca, de passagem,
leio as manchetes dos
jornais.
Tragédias, horrores
ocorrendo longe de mim.
Volto para casa de
consciência limpa.
Nada do que li me diz
respeito.
Sou maior, vacinado,
estou feliz e em dia com
meus impostos.
Um mendigo me pede
esmola
e conta uma história
triste
que não me diz
respeito.
Passo no bar para
comprar cigarros.
O dono do bar comenta
que foi assaltado e me
pergunta
onde vamos parar desse
jeito.
Digo-lhe qualquer coisa
e saio.
O que lhe acontece não
me diz respeito.
Volto cansado mas tranqüilo.
Chegando em casa tomo um
banho,
me refaço, me tranco,
estou satisfeito.
A noite correndo lá
fora, decididamente,
não me diz respeito.