Em silêncio você
anda na rua
e o tropeço no desejo
de viver paixão imensa
como a que você viu
no cinema, mas
muito distante
desta tua noite de luzes
cansadas.
Você é uma sombra que
caminha
sob o silêncio da rua
de encontro ao silêncio
do quarto,
ao silêncio do sono,
rumo à vida suspensa e
muda.
Teus dias sempre os
mesmos repetidos dias.
Uma surda fome de emoções
vivas.
Você pensa no grande
amor
que tanto te falta
nesta hora de coração
selvagem.
Pensa na vida em alta
voltagem
que só a literatura
ofertou,
assim concentrada e
quente.
E você se dirige
ao teu mundo de silêncio
esperando que na rua
surja de súbito,
mulher, talvez uma carta
ou simplesmente um aviso
Você aguarda seu
momento de farta energia,
sua vida saindo da
rotina vazia.
Nessa cidade enorme que
não tem fim
você busca a parte da
vida
que te abarrotará o
coração
e como você, talvez ali
mesmo na esquina,
alguém se consome na
mesma procura.