faces

houve um tempo 

HOUVE UM TEMPO, tempo em que eu não me conhecia, eu era jovem, promissor, e decerto venceria. Tempo em que eu me sentia um eleito com toda primazia. Eu era o maestro e meu destino a sinfonia. Tempo em que eu me media pelo que julgava que podia e o futuro se faria como réplica do que eu me atribuía. Bons tempos aqueles em que eu queria vencer e achava que venceria.

Houve um tempo em que a todos eu criticava e a mim mesmo não me via, presunçoso que era e nem sabia. Radical, eu empacava e intransigia, mas era alienado e não sabia. Eu me pavoneava, me enaltecia, sendo medíocre mas não sabia. Eu errava e mesmo errando eu insistia, provinciano, mas não, não sabia. Para ser sincero, naquele tempo eu não sabia nada mas achava que sabia. Eu me sentia capaz da maior das poesias e a poesia passava do meu lado e eu nem sentia. Bons tempos aqueles. Eu era feliz e não sabia.

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