Rio Belém

Rio Belém
que já correu solto,
como um jorro,
como um potro.

Do Rio Belém,
agora o que se tem?
Nem um litro
de água clara no museu.
Nem um peixe seu
empalhado por zoólogo.
Nem endereço
de alguém que lembre
de quando,
afogado em si,
morreu o Rio Belém.

Rio Belém,
que já matou sede,
que já foi claro,
que já deu peixe.
Rio Belém,
agora retificado,
reprimido,
estuprado,
escondido.

Rio Belém,
que desgosto,
rio esgoto,
rio morto.
Rio Belém.
Adeus.
Amém.

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