Duas

Estava dividido entre duas metades,
duas escravas suas.
Uma que lhe dava o prazer
e pedia-lhe a mão,
de quem tirava todos os véus do corpo,
talvez da alma,
a do estupendo gozo gritado,
a rainha da noite
que sonhava ser
sua rainha do lar.
Outra que lhe dava
a fachada do respeito,
dama de forno e fogão,
a do inigualável bolinho de bacalhau,
rainha do lar,
com quem não tinha
e a quem não dava o prazer
e que se olhava sozinha no espelho
erguendo a saia,
mostrando a coxa,
sonhando em segredo
ser a rainha da noite.
Duas metades que se completavam
e nunca se uniriam.

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