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ão é fácil definir categorias morfológicas,
dada a heterogeneidade do conjunto tradicionalmente levantado pelos
lingüistas. O melhor em se tratando dessas categorias é fazer uma
definição extensiva. Em português, nos interessam as categorias
tratadas por soluções baseadas em flexão. Assim sendo, vamos
considerar as categorias de número, gênero, pessoa, caso,
tempo, modo e aspecto. Poderíamos agregar à lista a categoria de
definição, ligada ao uso dos artigos, mas em português esta
categoria é um caso limítrofe que precisa de abordagem à parte.
Em outros idiomas, temos mais categorias
como locativa, voz e categorias de caso mais ricas que a existente
em português.
De forma simplificada, consideramos
categoria morfológica a solução baseada em flexão, usada na língua
para agregar traços específicos ao significado da palavra. Esses
traços se distribuem de forma complementar, ou seja, quando um está
presente, fica implícita a ausência do outro e todas as ocorrências
possuem um dos traços possíveis.
Número
Nosso sistema de flexão em número comporta
singular e plural. Línguas como o grego apresentam singular, dual e
plural. A categoria número tem função semântica, pois indica
singularidade ou pluralidade do significado do termo flexionado.
Também apresenta função sintática, pois as frases em português
seguem regras de concordância em que alguns termos da frase devem
concordar entre si em número.
Gênero
Em português, há dois gêneros: feminino
e masculino . Não utilizamos o neutro, presente em idiomas como inglês e
alemão.
Em alguns casos, a função da categoria
gênero é semântica, como nos pares a seguir:
O menino/a menina, o gato/a gata
Nos exemplos dados, a categoria gênero
define um traço semântico, ou seja, estabelece o sexo do ser
representado pelo substantivo.
Em português, muitos substantivos a que não
pode associar característica de sexo, têm gênero implícito. É o que
se vê na série a seguir:
O garfo, a colher, a faça, o prato.
Não é possível atribuir característica
semântica de sexo aos substantivos do exemplo, mas em português
mesmo substantivos assexuados estão associados convencionalmente a
um gênero para garantir o funcionamento das regras de concordância
sintática.
Grau
Em português, há dois sistemas de flexão de
grau: o diminutivo-normal-aumentativo, típico dos substantivos e
adjetivos e o sistema normal-superlativo, usado com adjetivos.
Não temos flexão de grau comparativo como
ocorre, por exemplo, no inglês.
John is tall. (João é alto)
John is taller than
Paul. (João é mais alto que Paulo.)
John is the tallest. (João é o mais alto.)
Caso
O caso está presente em nossa língua nas
flexões dos pronomes pessoais. Observe o exemplo:
Eu pedi o livro a ele.
Ele entregou o livro a mim.
Nas duas frases, o mesmo ente é representado
ora por eu, ora por mim. Eu e mim têm
funções semelhantes mas são usados em contextos diferentes. Eu
é empregado quando o pronome está em posição de sujeito da frase e
mim, quando em função de objeto. Quando um lexema é
flexionado segundo a função sintática que desempenha na frase, temos
flexão de caso.
Em português, os pronomes pessoais
apresentam duas flexões de caso: oblíquo e reto.
A flexão de caso dos nossos pronomes
pessoais é um resíduo do latim que permaneceu em nossa gramática. Em
latim, o uso das flexões de caso é bem mais intensivo, tanto que os
substantivos em latim clássico apresentavam seis flexões de caso.
Pessoa
A categoria de pessoa é usada para
discriminar as pessoas do discurso. Elas são três no português:
primeira (quem fala), segunda (a quem se fala) e terceira (de quem
se fala).
Tempo
Esta categoria morfológica também é típica
dos verbos. Em nosso sistema verbal temos basicamente três tempos:
futuro, passado e presente.
Modo
A categoria de modo está presente no sistema
verbal do português. O verbo pode ser flexionado em três modos
diferentes: imperativo, indicativo e subjuntivo. Simplificadamente,
o modo indicativo é empregado para indicar ações de consumação
certa, o subjuntivo para expressar ações hipotéticas ou o desejo de
que determinada ação venha a se consumar e o imperativo é usado para
incitar à ação.
Aspecto
Não existe só uma categoria de aspecto em
português, mas três, que agrupamos em uma só por se manifestarem em
apenas algumas flexões do sistema verbal.
De afirmação
O aspecto de afirmação está presente nas
flexões verbais do modo imperativo. Este tempo verbal pode ter
aspecto afirmativo, quando se incita positivamente à ação ou
negativo, quando se incita à não consumar a ação.
De consumação
O aspecto de consumação ocorre nas flexões
verbais do futuro do modo indicativo. Este aspecto pode ser
confirmado, caso a ação seja considerada como certa no futuro ou
então, cancelado, quando a ação é dada como não passível de
consumação futura.
De duração
O aspecto de duração está presente nos
tempos verbais do modo indicativo passado. Temos o aspecto
pontual que indica ações consumadas em um momento específico. O aspecto
durativo indica ações que se estendem para aquém e além de uma
determinada marca temporal no passado. O aspecto imperfeito indica
ações continuadas no passado. Por fim, o aspecto anterior
indica ação consumada num passado anterior a uma marca temporal do
passado.
Outras categorias morfológicas
Existem mais categorias morfológicas em
outros idiomas. Em português, não temos flexão de voz, como ocorre,
por exemplo, no latim clássico. Em nossa língua, a distinção de voz
é feita com soluções sintáticas que dispensam flexão.
O artigo: morfema flexivo de definição
A Gramática Tradicional e as convenções de
escrita estabelecem que artigo é palavra, o que contraria a
definição de palavra como forma livre mínima. Mas se admitirmos que
artigo é morfema flexivo, então, temos mais uma categoria de flexão
no português: a definição. A categoria flexiva definição supre a
necessidade semântica de distinguir entre dualidades como:
particular/genérico, próprio/comum, definido/indefinido. Os artigos
do português apresentam flexão definida e indefinida.
Finitude
A Gramática Tradicional considera a
categoria de finitude, específica dos verbos. Há duas opções
de finitude: finita e
infinita. A flexão do verbo é finita quando porta informação
de tempo e modo e infinita quando indeterminada em tempo e modo.
São finitas flexões como: fizemos,
fazíamos e faremos.
São infinitas: fazer, fazendo
e feito.
A rigor, a categoria de finitude pode ser
tratada como a categoria das flexões indefinidas em tempo e modo. Tudo depende de como
classificamos as flexões verbais em português. Optamos por
desconsiderar a categoria de finitude em nossa análise porque não há
prejuízo em tratar as flexões infinitas como indeterminadas em
tempo e modo. Com isso, simplificamos a classificação.
Resumindo as possibilidades de flexão de cada categoria morfológica
do português temos a seguinte tabela:
|
Categoria |
Flexões |
|
Número |
Plural e singular |
|
Gênero |
Feminino e masculino |
|
Grau |
Aumentativo, diminutivo, normal, e superlativo |
|
Caso |
Oblíquo e reto |
|
Pessoa |
Primeira, segunda e terceira |
|
Tempo |
Futuro, passado e presente |
|
Modo |
Imperativo, indicativo e subjuntivo |
|
Aspecto de afirmação |
Negativo e positivo |
|
Aspecto de consumação |
Cancelado e confirmado |
|
Aspecto de duração |
Anterior, durativo e pontual |
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Definição |
Definido e indefinido |
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