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o estudar a língua, temos apenas os
discursos como ponto de partida. A gramática da língua não é visível
em si. As estruturas sintáticas não estão visíveis para observação,
mas há bons indícios de que o sistema de regras que constitui a
competência dos falantes é formado por estruturas sintáticas. Vamos
exemplificar. Uma primeira evidência está em frases como:
Pedro encontrou a senha do cartão de crédito
que ele tinha perdido.
O exemplo dado é uma ambigüidade sintática.
Afinal, Pedro perdeu a senha ou o cartão? Podemos resolver a
confusão com o uso de parênteses. Observe:
Pedro encontrou a senha (do cartão de crédito
que tinha perdido).
Pedro encontrou (a senha do cartão de crédito)
que ele tinha perdido.
O emprego de parênteses gera dois sentidos
válidos para a frase, Isso indica que a forma como agrupamos os
itens da frase influi no seu sentido. Outra evidência está na
categoria de caso, presente em vários idiomas. No português, temos
um exemplo dessa categoria nos pronomes pessoais. Observe as frases
seguintes:
Eu entreguei o livro a Pedro.
Pedro recebeu o livro de mim.
Nas duas frases, a mesma pessoa é designada
ora pela palavra eu, ora pela palavra mim. Isso ocorre
porque os pronomes pessoais têm formas diferentes dependendo do
caso. E qual seria a diferença considerada que justifica o uso de
diferentes formas do pronome? Não é uma diferença que se explica por
razões semânticas como nas variações de gênero ou número. O uso das
diferentes formas do pronome nos exemplos, deve-se ao fato de o
pronome estar sendo usado em diferentes contextos sintáticos. Na
primeira frase, o pronome desempenha uma função na estrutura
sintática da frase e, na segunda, desempenha outra. O latim clássico
é uma língua que faz uso intensivo de flexões de caso. Os
substantivos, em latim clássico, têm seis formas diferentes, uma
para cada caso, ou de outra forma, uma para cada função exercida na
estrutura da frase.
Diante de evidências como essas, somos
levados a crer que os falantes realmente segmentam as frases em
partes, relacionando cada parte com uma função sintática, tanto
quando geram frases como quando as interpretam. Os falantes têm
consciência intuitiva dessas partes, tanto que em línguas como o
latim, empregam diferentes formas dependendo da função sintática
desempenhada pela palavra na frase. Esses segmentos se organizam em
uma estrutura sintática. É dessas estruturas que vamos nos ocupar
daqui por diante. |