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consciência difusa dos lexemas existe nos
falantes, mesmo naqueles não iniciados nos estudos gramaticais.
Percebemos isso em várias situações como quando o falante encontra
em um texto uma palavra desconhecida, digamos: defenestrou.
Ao consultar o dicionário, o falante, intuitivamente, vai procurar
pelo verbete defenestrar. Ele quer saber o significado de uma
palavra, mas procura por outra no dicionário, pois sabe que se
descobrir o significado de defenestrar, entenderá o sentido
de defenestrou. Isso ocorre porque as palavras defenestrar
e defenestrou pertencem ao mesmo lexema.
Os dicionários utilizam intensivamente o
conceito de lexema. Por medida de economia, os dicionários não
apresentam entradas para todas as palavras do idioma e se limitam a
fornecer uma entrada por lexema. Mas antes de definir lexema vamos
apresentar alguns exemplos:
As palavras menino, menina,
meninos e meninas fazem parte de um mesmo lexema.
As palavras cantar, cantei,
cantamos, cantarias e cante compõem um lexema
verbal.
As palavras lindo, linda,
lindos, lindas, lindinha e lindíssima
integram o mesmo lexema adjetivo.
Em português, lexema é um conjunto de
palavras de mesma classe morfológica que se distribuem de forma
complementar e diferem morfologicamente entre si unicamente por
sufixos flexivos.
As palavras que compõem um lexema são
chamadas de flexões do lexema.
Através de exemplos, vamos entender melhor o
que é um lexema.
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As palavras cantora e cantar
não compõem um lexema porque não pertencem à mesma classe
morfológica. A primeira é substantivo e a segunda, verbo.
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As palavras cantoria, cantilena
e cantata não pertencem ao mesmo lexema porque embora
apresentem um radical comum e pertençam à classe dos substantivos,
diferem entre si por sufixos derivativos e não por sufixos
flexivos.
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As palavras cantor, cantora,
cantores e cantoras compõem um lexema porque pertencem
à mesma classe morfológica, a dos substantivos, e diferem entre si
unicamente por sufixos flexivos (morfema zero, -a, -es, -as).
Além disso, se distribuem de forma complementar.
Em classes de palavra que não variam, como
as das preposições e conjunções, temos lexemas formados de uma única
palavra.
Lexemas irregulares
Temos que considerar o caso especial de
grupo de palavras como homem/mulher ou boi/vaca.
Trata-se da formação heteronímica em que não se verifica o padrão
típico de formação que encontramos em pares como menino/menina
ou gato/gata. Em nossa análise, vamos considerar esses grupos
com formação heteronímica como lexemas também. Para isso, vamos
ampliar a definição de lexema aceitando a possibilidade de incluir
no mesmo lexema palavras que diferem morfologicamente em aspectos
variados mas que semanticamente se distribuem seguindo o padrão dos
lexemas regulares. Com isso, resolvemos algumas dificuldades como a
de incluir no mesmo lexema todas as formas dos verbos irregulares.
Da mesma forma, palavras como este,
esse e aquele serão consideradas integrantes do mesmo
lexema, embora os dicionários dêem entrada a cada uma delas
individualmente. Esse procedimento dos dicionaristas faz sentido por
razões práticas, já que pouquíssimos usuários perceberiam que tais
palavras são flexões de um mesmo lexema.
Citação de lexemas
Em português, seguimos algumas convenções
para fazer referência a lexemas. O procedimento básico consiste em
usar uma flexão específica do lexema para nomeá-lo.
Para citar lexemas verbais empregamos a
flexão infinitiva impessoal. Por exemplo:
O verbo cantar é regular.
Amar, verbo intransitivo.
Para citar lexemas substantivos e adjetivos,
usamos a flexão masculina singular. Por exemplo:
Garoto é substantivo comum.
A escolha da flexão que nomeia o lexema
parece arbitrária em algumas situações, mas não em outras. Em latim,
por exemplo, os lexemas verbais são citados pela flexão da primeira
pessoa singular do presente indicativo. Um interessante estudo
sociolingüístico poderia ser feito para levantar por que razões os
substantivos costumam ser citados pela flexão masculina singular.
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