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Acentos agudo e circunflexo
Em nossa escrita, as vogais são
representadas, na maioria dos casos, com grafemas básicos sem
diacríticos (a, e, i, o, u). Uma quantidade reduzida de
vogais, porém, é representada com o uso dos acentos agudo e
circunflexo (á, â, é, ê, í, ó, ô, ú).
As razões normalmente invocadas para o uso
dos acentos na nossa escrita podem ser resumidas, grosso modo, da
seguinte forma: acentua-se a vogal da sílaba mais intensa entre as
três últimas da palavra sempre que isso for necessário para orientar
o leitor quanto à intensidade da sílaba, quanto ao timbre da vogal,
se aberto ou fechado e, em certos casos, para diferenciar entre dois
sentidos distintos para a palavra.
As motivações tradicionais para o uso dos
acentos já estão superadas. Podem ter sido importantes em outra
época, mas na realidade atual do idioma, as regras de acentuação
soam arbitrárias. Basta uma análise ligeira para perceber que quem
definiu as regras da nossa ortografia selecionou arbitrariamente os
casos em que o leitor supostamente precisa de orientação quanto ao
timbre da vogal e à posição da sílaba intensa. Da mesma forma, os
casos em que se usa o chamado acento diferencial também foram
definidos arbitrariamente. Além disso, concluiu-se erroneamente que
o leitor precisa ser orientado sobre essas informações. O leitor
identifica as características das vogais nos casos em que não se usa
acento e que são a maioria, então por que não as identificaria nas
posições em que o acento é usado? Apesar de as razões tradicionais
para uso dos acentos não serem razoáveis, as regras de acentuação
continuam sendo exigidas em contextos formais e, por isso, vamos a
elas.
As regras de uso dos acentos agudo e
circunflexo são as seguintes:
Uso do acento agudo
O acento agudo é usado na representação das vogais abertas
/á/, /é/, /ó/ e também de /i/ e /u/. Exemplos: água, época,
óbvio, ícone e útil. Além disso, o acento agudo aparece
nos dígrafos ín, ím, ún, e úm, que representam vogais
nasais. Exemplos: índio, ímpio, único e plúmbeo.
Uso do acento circunflexo
O acento circunflexo é usado na
representação das vogais fechadas /â/, /ê/ e /ô/. Exemplos:
âmago, convênio e complô. Além disso, aparece nos
dígrafos âm, ân, êm, ên, ôm e ôn, que representam
vogais nasais. Exemplos: âmbar, ânfora, êmbolo, ênfase, cômputo
e côncavo.
Acentos e intensidade da sílaba
Os acentos agudo e circunflexo só ocorrem na
sílaba mais intensa entre as três últimas da palavra. Por exemplo: a
palavra com-ple-tí-ssi-mo tem duas sílabas com
intensidade destacada, mas só a última apresenta grafema com acento
porque está entre as três últimas da palavra. A conseqüência dessa
regra é que só se pode usar um acento por palavra.
Proparoxítonas
Proparoxítonas são as palavras em que a
antepenúltima sílaba é mais intensa que as posteriores. Todas as
palavras deste grupo são
acentuadas. Por exemplo: bálsamo, câmara,
sétimo, trêmulo, cítrico, próximo, cômodo
e último. Esta regra se estende aos dígrafos que
representam vogais nasais como em: ímpeto e
êmbolo.
Paroxítonas
Paroxítonas são as palavras em que a
penúltima sílaba é a mais intensa entre as três sílabas finais. Só
uma parte do grupo é acentuada e há várias regras a seguir neste
caso. São acentuadas as palavras paroxítonas que terminam com:
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semivogal + vogal ou vice-versa, seguida ou não de /s/. Exemplos: sábia /’sá-byá/,
ébrios /’é-bryôs/ lírio
/’li-ryô/, ópio /’ó-pyô/, vácuo
/’vá-cwô/, réguas /’ré-gwás/ e jóquei
/’jó-kêy/. Esta regra se estende aos dígrafos que representam
vogais nasais como em: índio /’ĩ-dyô/e
câmbio /’câ-byô/.
-
/i/, /u/ ou /ũ/, seguidas ou não por /s/. Exemplos:
cáqui, tênis, bônus, júri,
álbuns, fórum. Esta
regra se estende a dígrafos que representam vogais nasais como em
dândi.
-
grafemas ã ou ão, seguidos ou não por /s/.
Exemplos: ímã, bênção e órgãos.
-
grafemas l, n, r, x, t e ps. Exemplos:
afável, terrível, hífen, hímen, próton, éter,
açúcar, córtex, látex,
superávit,
bíceps e fórceps A regra se
estende aos dígrafos que representam vogais nasais como âmbar.
O plural dessas palavras, quando resulta em paroxítona é
acentuado, salvo exceções como hifens.
Oxítonas
Palavras em que a última sílaba é a mais
intensa entre as três sílabas finais são oxítonas. Apenas algumas
palavras deste grupo são acentuadas. Vejamos as regras:
-
São acentuadas as palavras oxítonas que
terminam com /á/, /é/, /ê/, /ó/, /ô/, seguidas ou não
de /s/. Exemplos: dá, vatapá, fé, acarajés,
lê, crê, dendê,
bisavó e
bibelôs. Estão incluídas
nesta regra flexões verbais que perdem o fonema final diante dos
pronomes oblíquos lo, la, los e las.
Exemplos: contá-la, escrevê-la e pô-lo.
-
São acentuadas as oxítonas com duas
sílabas ou mais que terminam com /ẽ/ ou /ẽy/,
seguidos ou não de /s/. Exemplos: também, /tã-‘bẽy/,
mantém /mã-‘tẽy/
parabéns /pá-rá-‘bẽs/,
etc. Observe que, neste caso, o acento usado é o agudo, mas a
pronúncia da vogal é fechada. Não são acentuadas as monossilábicas
bem, tem, cem, etc. As flexões de terceira pessoa singular
de verbos como: obtém, convém e retém, seguem a regra. As
flexões de terceira pessoa plural, porém, são acentuadas com
acento circunflexo. Exemplos: obtêm, convêm e retêm.
Vogais contíguas
Temos duas regras ligadas a vogais
contíguas.
-
Levam acento, palavras em que a sílaba
intensa apresenta /u/ antecedido pelos grafemas g ou q
e seguido de vogal. Exemplos: argúi e averigúe.
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Levam acento as palavras em que a sílaba
intensa apresenta /i/ ou /u/ antecedidos de outra vogal. Exemplos:
heroína, país, saúde e viúvo.
Essa regra é válida para vogais orais. A regra não se estende a
palavras como contribuinte e ruim, que
apresentam vogais nasais na sílaba intensa, representadas pelos
dígrafos in e im. Existem algumas exceções à regra.
Vejamos quais são.
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Não são acentuadas as palavras que seguem
esta regra se após /i/ ou /u/ tivermos, na mesma sílaba, /r/ ou
/s/. Exemplos: diluir e juiz.
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Não são acentuadas as palavras que seguem
essa regra, mas apresentam após /i/ ou /u/, na sílaba seguinte,
o fonema /ñ/. Exemplos: ladainha e tainha.
-
Não levam acento as palavras que seguem
esta regra, se /i/ e /u/ forem seguidos de semivogal. Exemplo:
contribuiu.
Sílabas intensas que apresentam /êẽ/ ou /ôô/
São acentuadas as palavras que contêm tais
seqüências. Por exemplo: crêem, dêem, enjôo e abençôo.
Sílabas intensas que apresentam /éy/, /éw/ ou /óy/
São acentuadas as palavras em que a
sílaba intensa apresenta as seqüências dadas. Exemplos:fiéis, réu,
tabaréu, chapéu, jóia e paranóia.
Acentos diferenciais
Usa-se acento diferencial em algumas
palavras, supostamente para diferenciá-las de outras com grafia
idêntica, exceto pelo acento. Esse recurso é usado, por exemplo,
para diferenciar entre duas flexões verbais como em: vem
(singular) e vêm (plural). Em alguns casos, temos fonemas
distintos, em outros não. Veja na tabela a seguir, alguns pares
de palavras cuja grafia se diferencia pelos acentos diferenciais.
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Sem acento |
Com acento |
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As palavras. |
Ás do volante. |
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Siga pela estrada. |
Péla de borracha. |
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Entrada pelo portão principal. |
Pêlo de barba. |
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Tenho medo que me pélo. |
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Vá para casa. |
O carro pára na esquina. |
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Ele pode vencer mas é improvável. |
Ele pôde vencer porque se esforçou. |
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Cidade pólo
regional. |
O pequeno pôlo
bateu as asas. |
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Venha por aqui. |
Vamos pôr combustível no tanque. |
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Ele sabe o porquê
do problema |
Vou porque quero. |
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Ele tem um bom
carro. |
Eles têm uma bela
casa. |
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Paulo vem para o
almoço. |
Eles vêm para o
almoço. |
Palavras monossilábicas de intensidade fraca
Observe a série seguinte:
Tente encontrá-la.
Doce de leite.
Concentre-se.
As palavras em negrito não são acentuadas,
embora aparentemente atendam à regra de acentuação das palavras
oxítonas. Diferentemente, são acentuadas as palavras da série a
seguir:
Encontro você lá.
Dê-me o livro.
Sê correto.
Catedral da sé.
A diferença está na intensidade da sílaba
que compõe a palavra. Na primeira série, temos palavras
monossilábicas, pronunciadas sempre em uma intensidade mais fraca
que a das sílabas próximas de palavras adjacentes. Pela nossa
ortografia, palavras monossilábicas de intensidade fraca não são
acentuadas.
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