|
 |
Iniciais maiúsculas
Segundo a ortografia brasileira, devem ser
escritos com variante maiúscula o grafema que inicia período ou
citação e o primeiro grafema de palavras que compõem sintagmas
substantivos específicos que analisaremos adiante. Algumas siglas e
abreviaturas também são escritas com variante maiúscula no todo ou
em parte. Nos demais casos, deve-se empregar a variante minúscula.
Se observarmos o emprego da variante
maiúscula nos livros, jornais, revistas, peças publicitárias, etc.,
veremos que as regras ortográficas não são seguidas em muitos casos.
O emprego dos grafemas maiúsculos e minúsculos costuma ser orientado
para um aproveitamento retórico dessas variantes da escrita e não
apenas pela obediência à ortografia. A observância às regras
ortográficas, porém, é comum em textos mais longos como o corpo de
uma reportagem, o capítulo de um livro, ou a descrição de um produto
em uma peça publicitária.
Iniciar período ou citação com grafema
maiúsculo é uma regra clara que não precisa de maiores comentários.
Essa marcação corresponde à pausa que se usa no discurso oral entre
o final de um período e o início de outro.
Sintagmas substantivos escritos com grafemas
iniciais maiúsculos
Alguns sintagmas substantivos devem ser
escritos com grafemas iniciais maiúsculos. Veja exemplos a seguir em
negrito:
A cidade do Rio de Janeiro.
O poeta Augusto dos Anjos.
A obra “Os Sertões”.
O Ministério de Minas e Energia.
O filme “E o Vento Levou”.
O projeto Educação para Todos.
A canção “Pra Não Dizer que Não Falei das
Flores”.
Nem todas as palavras que compõem os
sintagmas substantivos em negrito apresentam grafema inicial
maiúsculo. Preposições, subordinativos, artigos e conjunções ficam
excluídas da regra, exceto no caso de iniciarem o sintagma.
O uso de grafema inicial maiúsculo na
representação de sintagmas substantivos tem algumas peculiaridades.
Primeiramente, trata-se de uma regra sem correspondência no discurso
oral. Quando falamos, não fazemos nenhum tipo de marcação desses
sintagmas. O uso de iniciais maiúsculas é, nesse caso, uma regra
exclusivamente ortográfica. Em segundo lugar, a regra não tem função
em nenhum dos níveis lingüísticos de análise. Vamos encontrar função
apenas no nível sociolingüístico. Por fim, a delimitação dos
sintagmas substantivos marcados com iniciais maiúsculas é baseada
totalmente em critérios semânticos.
Veja a seguir tipos de sintagmas
substantivos que devemos escrever com grafemas iniciais maiúsculos.
-
Nomes de pessoas físicas ou jurídicas, reais
ou hipotéticas. Ex.: Fernando Pessoa, Policardo Quaresma,
Banco do Brasil, Instituto Nacional de Seguridade Social.
Em casos como Alexandre, o Grande ou Maria Santíssima,
o adjetivo recebe grafema maiúsculo, pois está incorporado ao
nome.
-
Apelidos. Ex.: Pelé, Aleijadinho.
-
Patronímicos. Ex.: as famílias Maia,
Bragança e Silva.
-
Topônimos. Ex.: Copacabana,
Curitiba, Pernambuco, Brasil, América do Sul.
-
Nomes de acidentes geográficos. Ex.: Pico
da Neblina, Cataratas do Iguaçu, Corcovado,
Lagoa dos Patos.
-
Nomes de regiões geográficas. Ex.: Vale do Itajaí,
Triângulo Mineiro, Oriente Médio.
-
Nomes de vias públicas, logradouros,
edifícios e construções. Ex.: Rua Direita, Praça Castro Alves,
Palácio do Planalto, Ponte Oscar Niemeyer.
-
Nomes de corpos celestes. Ex.: Via Láctea,
Lua, Sol, Marte.
-
Títulos de publicações, programas de
televisão ou rádio, e nomes de meios de comunicação. Ex.: Folha de São Paulo,
Hora do Brasil, Rádio Nacional, Universo Online.
-
Títulos de obras
intelectuais, literárias e artísticas. Ex.:
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Eles Não Usam Black-Tie,
Casa Grande e Senzala, O Bêbado e a Equilibrista,
Abaporu.
-
Nomes de leis, decretos e portarias se forem
próprios. Ex.: Código Penal, Lei de Diretrizes e Bases.
-
Marcas comerciais: Leite Moça,
Maizena, Casas Bahia.
-
Alguns pronomes de tratamento. Ex.: Vossa
Senhoria, Sua Majestade, Vossa Excelência.
-
Nomes de ciências, artes e áreas do
conhecimento. Ex.: a História, a Botânica, a
Matemática, a Música.
-
Nomes de altos cargos. Ex.: Presidente da
República, Ministro da Justiça.
-
Nomes de entidades sagradas,
divinas ou mitológicas: Ex.: Deus, Espírito Santo,
Iemanjá, Cérbero, Golem.
-
Altos conceitos religiosos ou políticos. Ex.:
Nação, Pátria, Senado, Igreja.
-
Nomes de épocas históricas e eras ou períodos geológicos. Ex.:
Idade Média, República Velha, Renascença,
Período Neolítico, Era Mesozóica.
-
Nomes de eventos históricos e festas
religiosas. Ex.: Proclamação da República, Natal,
Ramadã.
-
Nomes de concursos e eventos. Ex.:Festival
Internacional da Canção, Congresso Brasileiro de Cardiologia.
-
As palavras Oriente e Ocidente
e os nomes dos pontos cardeais quando usados para citar regiões.
Ex.: a cultura do Oriente, as cidades do Nordeste.
As palavras que compõem locução com hífen
seguem a regra e são escritas com inicial maiúscula. Ex.:
Grã-Bretanha, Vice-Presidente. Sintagma substantivo próprio
A lista apresentada não é exaustiva, pois os
casos em que se usa iniciais maiúsculas são numerosos. Havendo
dúvida sobre a aplicação de iniciais maiúsculas, podemos recorrer a
uma regra válida na maioria dos casos. O sintagma substantivo será
escrito com iniciais maiúsculas se for próprio, ou seja, se for nome
para um referente único. Não vamos abordar aqui o estudo dos nomes,
por se tratar de assunto complexo pertencente à Semântica. Vamos
apenas considerar que o nome é um signo privilegiado de seu
referente. O nome cita o referente de maneira especial.
Função sociolingüística
Quando marcamos um sintagma substantivo com
primeiro grafema maiúsculo, estamos dando status privilegiado ao
referente a ele associado. Trata-se de um uso cerimonial, uma
deferência para com o referente representado pelo sintagma.
O uso de iniciais maiúsculas é comum nas
transcrições romanas, no entanto, essas transcrições diferem entre
si quanto aos tipos de substantivos que recebem essa marcação. Na
ortografia alemã, por exemplo, todos os substantivos são escritos
com inicial maiúscula. A ortografia inglesa é mais restritiva nesse
quesito e indica iniciais maiúsculas em menos casos do que a
brasileira. Na ortografia latina, se escrevia os nomes dos meses e
dos dias da semana com iniciais maiúsculas. Como se pode ver, há
diferentes posicionamentos acerca de quais sintagmas substantivos
devem ser representados com iniciais maiúsculas.
Na ortografia brasileira, alguns desses usos
cerimoniais estão prescritos no Formulário Ortográfico, que, infelizmente, deixa algumas lacunas abertas e,
por isso, outros agentes da comunidade lingüística interferem na
questão complementando e detalhando a regra. O resultado é uma regra
sem unanimidade, sujeita a polêmicas. Provavelmente, não haverá
questionamento sobre o fato de escrevermos nomes de pessoas,
de cidades e de acidentes geográficos com iniciais maiúsculas. Mas a
situação muda diante de perguntas
como: O que é um alto cargo? Quando uma
entidade deve ser considerada sacra ou divina? Como saber se um
evento é histórico? Como determinar se uma
festa é popular ou religiosa? Como estamos na área da Sociolingüística,
podemos nos defrontar com posições controversas. Por exemplo:
alguns gramáticos prescrevem o uso de iniciais maiúsculas nos nomes de entes da mitologia grega (Cérbero, Minotauro, etc.), mas recomendam grafemas minúsculos na
representação de entidades do folclore brasileiro (Saci-Pererê,
Curupira, Caipora, etc.) embora sejam sintagmas substantivos
próprios. Em função do exposto, o redator deve saber que, em alguns
casos, terá de fazer uma opção pessoal, baseado em suas convicções.
Variantes
Não há unanimidade sobre a grafia de
sintagmas como nos exemplos a seguir:
A rua das Flores.
A Rua das Flores.
O rio das Mortes.
O Rio das Mortes.
A era Cenozóica.
A Era Cenozóica.
A discussão é se o substantivo inicial do
sintagma pertence ou não ao nome do referente. Por se tratar de caso
limítrofe, é melhor considerar as duas possibilidades como válidas.
|
_ |