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Representação múltipla
Em muitos casos, nossa ortografia, admite
mais de uma maneira de escrever o mesmo enunciado.
Veremos na seqüência, alguns desses casos.
Ênfase
Não temos convenções bem definidas para
enfatizar segmentos do enunciado. O efeito de ênfase pode ser
conseguido de várias maneiras, a critério do redator. Em muitos
casos, as convenções são estabelecidas para o contexto de uma obra,
de uma publicação e não ultrapassam esse limite. Vejamos algumas:
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Aspas. Podemos colocar entre aspas
trechos do texto para enfatizar que estão sendo usados sob
ressalva devido à sua conotação.
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Travessão. Podemos colocar entre
travessões um trecho de discurso que desejamos enfatizar.
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Negrito e itálico. Essas variantes de
design também podem ser usadas para enfatizar trechos do discurso.
Foco
As convenções ortográficas referentes a foco
não são satisfatórias para dar conta das necessidades de indicação
de foco. Não temos, por exemplo, convenções para diferenciar o
discurso falado do pensado, o real do onírico, etc. Nessas horas,
normalmente o redator contorna o problema com frases
metalingüísticas do tipo: ele falou, pensou consigo mesmo, em
sonho dizia, etc. Alguns podem achar que se trata de preciosismo
exigir que a escrita tenha soluções para esse tipo de sinalização,
mas vale lembrar que a linguagem das histórias em quadrinhos, por
exemplo, dá conta desses aspectos, usando convenções ricas
envolvendo a forma dos balões de texto.
Apesar das carências que a ortografia
apresenta na representação de foco, existem várias formas
equivalentes de expressar foco na escrita. Vejamos algumas:
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Travessão. O travessão é usado para
marcar transições de foco de narrador para personagem, de
personagem para narrador e de personagem para personagem.
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Aspas. São usadas para delimitar
citações e a fala de personagens.
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Vírgula. Em muitos casos, a vírgula
indica transições de foco de personagem para narrador e
vice-versa.
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Dois pontos. Anuncia uma transição de
foco de narrador para personagem ou de narrador para citação.
Intercalações e aposições
Nossa ortografia exige que as intercalações
sejam delimitadas no texto. Isso se dá por similaridade com o
discurso oral, em que usamos pausas sintáticas para delimitar
intercalações e aposições. Há três maneiras de se fazer essa
delimitação: com vírgulas, travessões ou parênteses. Veja nos
exemplos a seguir a equivalência dos modos.
O finado, que Deus o tenha, era um homem de
virtudes.
O finado – que Deus o tenha – era um homem de
virtudes.
O finado (que Deus o tenha) era um homem de
virtudes.
Dalton Trevisan, o vampiro de Curitiba, é avesso
à publicidade.
Dalton Trevisan – o vampiro de Curitiba – é
avesso à publicidade.
Dalton Trevisan (o vampiro de Curitiba) é avesso
à publicidade.
Pausa
As pausas de valor sintático e de valor
entoativo são representadas na escrita pelos sinais de pontuação.
Se a pausa indica final de período será
representada pelo ponto simples, ou então, pelos pontos de
interrogação, exclamação ou reticências.
Se a pausa se dá dentro do período será
representada na maioria dos casos pela vírgula, mas pode também ser
representada em situações específicas por travessão, parêntese,
ponto e vírgula, dois pontos e ponto de exclamação.
As pausas entoativas geralmente são
representadas pela vírgula, mas também por travessão e aspas.
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