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osso trabalho se pauta em alguns
pressupostos que descrevemos na seqüência.
Imparcialidade lingüística: O idioma
é formado por variantes geográficas, de classe social, de nível
cultural, enfim, o idioma não é homogêneo. Uma variante não é em si,
boa ou má, elevada ou baixa, rudimentar ou evoluída, bela ou feia.
Os atributos que se pode imputar a uma variante são resultado do
processo histórico, social e político da língua. A realidade
histórica, social e política da língua também é objeto de estudo do
lingüista, mas não no sentido que este deva tomar partido desta ou
daquela visão. O lingüista também é falante e por isso, agente do
idioma, mas quando na posição de lingüista a conduta que se espera
dele é a de observador e analista, não de agente.
Rigor: Uma das maiores criticas à
gramática tradicional é a sua falta de rigor. Vejamos um exemplo: O
substantivo é descrito na tradição como a classe de palavras que
designam os seres. Uma definição desse tipo peca por levar em conta
apenas o aspecto semântico da classe dos substantivos, e ainda
assim, precariamente, pois há inúmeros substantivos que não designam
seres. A gramática tradicional deixa de fora da definição de
substantivo o comportamento morfossintático da classe, suas
condições de emprego e vários outros aspectos importantes para uma
boa descrição. É claro que o rigor é um atributo relativo e o rigor
que buscaremos é o adequado ao nível de aprofundamento que
desejamos.
Amplitude: as conclusões do modelo
proposto devem ser abrangentes para dar conta de todas as
ocorrências do idioma relacionadas ao modelo e não apenas, de casos
específicos mais dóceis à análise.
Verificabilidade: O modelo proposto
tem que ser verificável, ou seja, quando uma ocorrência empírica
coloca o modelo em xeque, o que tem que mudar é o modelo e não a
ocorrência.
Corpus intuitivo: uma corrente
lingüística defende que os objetos de estudo da língua devem ser
extraídos de um corpus empírico, em geral, proveniente de discursos
coletados e transcritos de situações reais de uso da língua. A
vantagem dessa técnica é que o estudo fica baseado em discursos de
fato proferidos e praticados pelos falantes, embora seja difícil
estabelecer em que medida tais discursos são representativos da
realidade do idioma. A desvantagem do uso do corpus empírico é que
nas condições reais de uso o discurso está permeado de fenômenos que
não dizem respeito especificamente à abordagem em andamento,
causando uma desnecessária dispersão do estudo. Nossa opção será por
utilizar o corpus empírico sempre que ele se apresentar em condições
ideais de análise, ou seja, expurgado de fenômenos dispersivos e
passível de ser rotulado como enunciado ideal. Quando não for
possível a coleta no corpus empírico, usaremos dados da intuição do
lingüista que atendam melhor à verificação que se busca. É claro
que, posteriormente, a intuição do lingüista deve ser abonada por
outros falantes.
Falante e discurso ideais: Os
discursos proferidos em condições reais de uso do idioma estão
repletos de contingências que perturbam a exposição do modelo
proposto. O melhor para a descrição lingüística é a seleção de
exemplos ideais, expurgados de más formações e de outros fenômenos
dispersivos. Alguns estudiosos criticam essa prática alegando que a
análise se torna artificial, uma vez que não utiliza objetos reais
de estudo. Na verdade, os exemplos ideais também são enunciados
válidos que servem a contento para a descrição do idioma. Seria um
preciosismo trabalhar somente com exemplos empíricos que levariam a
uma considerável queda de produtividade.
Nomenclatura: O estudo gramatical é pródigo em terminologia
especializada, o que é uma vantagem e um problema. Quando se faz um
esforço no sentido de avançar o estudo gramatical, esbarra-se
inevitavelmente na inadequação do vocabulário tradicional. O que
fazer, então? Criar novas terminologias? Essa prática, quando
indiscriminada, não nos parece a melhor solução. Nosso esforço será
na direção de reduzir o vocabulário ao mínimo necessário, para dar
elegância à descrição. Tentaremos preservar ao máximo a nomenclatura
herdada da tradição, já que é amplamente difundida, mesmo correndo o
risco de perturbar a descrição com a conotação agregada à
terminologia tradicional. |
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