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escrita romana, criada para o
latim da Roma Antiga, deu origem a inúmeras transcrições
ortográficas contemporâneas, entre elas, a do português brasileiro.
Essas transcrições têm em comum um conjunto de grafemas fonológicos,
a que chamamos de alfabeto romano, latino ou ocidental. Esse alfabeto apresenta quatro
variantes básicas de design representadas na tabela a seguir:

O alfabeto romano tem grafemas tanto para consoantes como para
vogais, o que pode parecer uma afirmação redundante, mas temos que
lembrar que existem sistemas fonológicos de escrita que não
representam vogais.
A representação das vogais no alfabeto romano tem menos grafemas do
que seria necessário para uma relação biunívoca entre grafema e
fonema. Por isso, na ortografia de cada idioma que emprega o
alfabeto romano existem regras para especificar melhor a
representação das vogais. Em português, por exemplo, usamos alguns
diacríticos com essa finalidade como o acento agudo, acento
circunflexo e til.
A variante tipográfica maiúscula está historicamente
ligada à escrita monumental romana. Em função disso, grafemas
maiúsculos tem um traço solene. Diferentemente, grafemas
tipográficos minúsculos,
estão associados ao uso formal, mas intensivo da escrita e, por
isso, esses caracteres são mais leves e de melhor legibilidade. Já
as variantes cursivas, se destinam à escrita manual, típica dos usos
mais prosaicos da escrita. Enfim, o uso condicionou o design.
Em nossa ortografia, as quatro variantes de
design do alfabeto romano apresentam os mesmos valores fonológicos.
Não importa qual variante empregada, o fonema associado ao grafema é
o mesmo. Essa característica não está presente, por exemplo, no AFI
(Alfabeto Fonético Internacional), em que um grafema maiúsculo pode
representar fonema distinto de seu correspondente minúsculo.
Maiúsculas e minúsculas
Os grafemas maiúsculos do alfabeto romano
apresentam tamanho relativo maior que o de seus correspondentes
minúsculos e, na maioria dos casos, diferem destes
significativamente no design.
Em nossa ortografia, os grafemas maiúsculos
apresentam o mesmo valor fonológico de seus correspondentes
minúsculos, mas não podemos comutar um pelo outro na escrita porque
existem regras específicas que regem o uso de maiúsculas ou
minúsculas. Os contextos de uso de maiúsculas e minúsculas são
mutuamente exclusivos, ou seja, quando se usa uma variante, não se
pode usar outra. Basicamente, as maiúsculas são reservadas para dois
usos particulares: sinalizar o início de período e marcar sintagmas
substantivos como próprios. O primeiro uso se liga à sintaxe.
Iniciar períodos com grafema maiúsculo é uma das regras básicas da
nossa ortografia. O segundo uso envolve uma regra semântica. Usa-se
primeiro grafema maiúsculo nas palavras que compõem sintagmas
substantivos próprios. Não discutiremos aqui as dificuldades para se
caracterizar um substantivo próprio, mas, grosso modo, é aquele que
designa seres únicos. Nos demais usos, deve-se usar grafemas
minúsculos.
As regras de uso de grafemas maiúsculos e minúsculos
da nossa transcrição ortográfica são respeitadas via de regra, mas
em muitos casos ocorre cruzamento delas com outros interesses. Nas
mensagens publicitárias, por exemplo, é comum um uso de maiúsculas e
minúsculas mais livre e orientado para os fins retóricos da
comunicação visual.
Tipográfico e cursivo
No conjunto de regras ortográficas de nossa
língua não há restrições à livre comutação entre variantes
tipográfica e cursiva. Do ponto de vista ortográfico, essas
variantes são plenamente comutáveis. O design cursivo, em alguns
casos, é bastante distinto do tipográfico e foi concebido para a
escrita manual. Grosso modo, a variante cursiva permite uma redação
contínua, pois um grafema pode ser começado a partir do fim do
anterior, reduzindo assim ao mínimo o levantamento da pena.
Negrito e itálico
Negrito e itálico são variações secundárias
da variante tipográfica do alfabeto romano. Um grafema é considerado
negrito quando seu traço é visivelmente mais espesso que o de seu
correspondente normal. Da mesma forma, um grafema é considerado
itálico se for perceptível um tombamento à direita nas linhas que o
compõe se comparado ao seu correspondente normal. Negrito e itálico
são variações relativas a uma versão normal do grafema, tomada como
referência.
As variações negrito e itálico são muito
usadas nos textos de nosso idioma com funções variadas, mas não
existe nenhuma regra em nossa ortografia oficial que trate dessas
variações. As convenções que envolvem negrito e itálico são extra
oficiais e não há uma unanimidade nesse ponto. Em nosso trabalho,
por exemplo, usamos grafemas tipográficos normais para indicar uso e
itálico para indicar menção. Fontes
Até aqui, classificamos os grafemas do alfabeto romano segundo as
dualidades maiúsculas/minúsculas e cursiva/tipográfica. Mas existem
outras variações a considerar. Por serem abstrações, os grafemas
permitem a criação de infindáveis variantes que se sobrepõem aos
padrões básicos. Ao longo da História, inúmeras dessas variações
foram surgindo e algumas se tornaram clássicas como as fontes Bodoni,
Garamond, Futura, Helvética ou Times. Com a chegada da
editoração eletrônica, essas variantes de design passaram a ser
agrupadas em conjuntos a que chamamos de fontes. Uma fonte é uma
prescrição consistente de design para grafemas. Na verdade,
conhecemos os grafemas através das fontes, pois as realizações da
escrita combinam as definições primárias do grafema com as
definições secundárias do design e não se pode dissociar um de
outro. Veja exemplos de fontes na tabela a seguir:
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