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Tatuagem |
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| No início ela sentiu algo entre a repulsa e o medo. Sua obsessão começou quando viu pela primeira vez as tatuagens no peito dele. Já lhe haviam dito que ele era perigoso mas ela não conseguiu fugir da atração exercida pelas estranhas tatuagens. Por vezes, enquanto ele dormia, ela ficava observando os desenhos no corpo dele, tocando-os com a ponta dos dedos. Quase todo o corpo dele estava coberto de tatuagens. Na penumbra ela tinha a impressão de que os desenhos se moviam. De fato, ao observador atento era possível notar que as tatuagens sofriam modificações ao longo do tempo. Todas as imagens retratavam mulheres, mulheres lindas, provocantes. Mulheres que já tive, dizia ele. Havia emoção nos rostos tatuados, mas ela não conseguia definir se a expressão era de dor ou prazer. Uma longa corrente tatuada percorria o corpo dele, interligando as várias imagens, ora envolvendo um corpo, ora atando um pé ou um pulso. O tempo passava e ela se sentia cada vez mais mais ligada ao mistério das tatuagens. O fascínio cresceu de tal modo que um dia ela colocou-se diante dele com olhos suplicantes e definitivos. Ele apenas perguntou: você quer? Ela cerrou os olhos e murmurou algo incompreensível, talvez um sim. Então ele acariciou-lhe o rosto e envolveu-lhe o pescoço com as mãos. As tatuagens se moveram rápido. A corrente tatuada deslizou na pele como uma serpente, correu pelos braços dele e chegando às mãos entrou na carne trêmula dela. Ela apenas suspirou fundo enquanto a corrente se tatuava em todo seu corpo. Lentamente, como uma agonia, se formou no corpo dele uma nova imagem indelével. Lá estava ela, linda como nunca. |
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