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rbitremos
a existência de alguns princípios legítimos que norteiam o
jornalismo sóbrio. Se são princípios utópicos ou mesmo de
fachada, é questão para discussão filosófica. O fato é que esses
princípios norteiam toda a Retórica do discurso jornalístico.
Vejamos alguns deles:
Objetividade:
discurso objetivo é aquele que dá ao leitor a ciência dos fatos
tais quais são, deixando a critério do leitor a valoração sobre
eles.
Atratividade:
dada a forma como o discurso
jornalístico é lido, uma leitura seletiva, descontraída,
raramente com objetivos precisos estabelecidos, a atratividade é
considerada uma qualidade capital para o jornalismo.
Concisão:
a concisão é uma exigência do
leitor que não tem tempo a perder.
Simplicidade:
a simplicidade deriva da pretensão
do jornalismo de ampliar ao máximo o seu espectro de público
potencial. Para isso, tem de ser acessível à faixa menos
qualificada desse espectro.
Comunicabilidade:
a boa comunicabilidade propicia ao leitor a rápida assimilação
do texto.
Adequação ao perfil do leitor:
o discurso jornalístico
procura se colocar no nível do seu leitor típico, isso inclui
ajustar o background, a competência lingüística, a
sociabilidade.
Respeito ao idioma-padrão:
essa regra é uma função da
busca de sociabilidade.
Indução fonológica zero:
é uma regra de estilo bastante
difundida.
Rigor no estilo gráfico:
o visual gráfico é alvo de
grande atenção do jornalismo.
Regras práticas do discurso
jornalístico
Coletando em diversos manuais
informações sobre como deve ser o discurso jornalístico,
chegamos a algumas conclusões comuns, algumas delas enumeradas a
seguir.
Para textos em geral
-
Restrinja-se aos substantivos e
verbos.
-
Evite adjetivos e advérbios.
-
Palavras curtas, frases curtas,
parágrafos curtos, textos curtos.
-
Evite neologismos, arcaísmos,
regionalismos, palavras chulas, gírias, jargões, raridades e
modismos.
-
Evite frases subordinadas e
coordenadas. Prefira o ponto a conjunções.
-
Não use superlativos e
absolutos.
-
Use ordem sintática direta.
-
Uma frase para cada idéia.
-
Não repita, idéias, palavras,
sintaxes.
-
Busque o equilíbrio entre o
discurso formal e o coloquial.
-
Não use clichês.
-
Use frases afirmativas, em vez
de negativas.
-
Use voz ativa. Evite a passiva.
-
Seja impessoal.
-
Suprima anomalias lingüísticas.
-
Controle a conotação dos termos
usados, preferindo sempre os de conotação mais neutra.
-
Organize o texto do mais para o
menos prioritário.
-
Os parágrafos devem ser
independentes, facilitando a supressão do que se julga
desnecessário.
Regras para títulos
-
Devem ser curtos e atraentes.
-
Nos noticiosos, devem conter
apenas o foco da notícia.
-
Use verbos no presente do
indicativo.
-
Não repita em títulos de mesma
matéria, mesma página, mesmo assunto.
-
A tipografia do título deve ser
em corpo maior que a do texto.
-
Não hifenize títulos.
-
Não separe grupos fraseológicos,
nomes próprios, o termo de seus adjuntos e partes de locuções.
-
Evite artigos.
-
Os segmentos de linha devem ter
tamanhos harmonizados entre si.
Imparcialidade
Discurso imparcial é aquele que
aborda um tema sem agregar sensações, impressões e opiniões do
emissor ou de qualquer outra pessoa.
A possibilidade de o discurso ser
realmente imparcial é uma questão filosófica. O que nos motiva
aqui são os meios retóricos para aumentar a imparcialidade de um
discurso. Isso envolve a manipulação de fatores relativos à:
Conotação: para ganhar em
imparcialidade, é preciso evitar as formas conotadas que agregam
valoração ao significado.
Atenuação/agravamento: para obter
imparcialidade, é preciso evitar todos os artifícios que atenuam
ou agravam a valoração da mensagem.
Ênfase: deve ser evitada, pois
altera o status da mensagem.
Transferência icônica: altera a
valoração do significado, por isso deve ser evitada.
Imparcialidade absoluta
A impossibilidade de uma
imparcialidade absoluta se evidencia pelo fato de que qualquer
notícia tem sempre existência, edição, extensão e ordem.
Se a notícia existe é porque se
fez a escolha de publicá-la, o que em si é atribuição de valor
jornalístico ao fato de que ela veicula.
Tendo uma edição, a notícia
apresentará uma série de soluções como corpo tipográfico,
família de tipos, etc. Todas essas escolhas tem valor e
influenciam o leitor.
Tendo uma extensão, o leitor
associará à extensão um valor.
A notícia
entra em uma ordem de edição e em uma ordem temática, ambas com
potencial para influir na valoração do leitor. |