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xímoro é o
enunciado contraditório à primeira vista, ou seja, faz-se a
conjunção de duas proposições das quais uma é a negação ou
implica na negação da outra.
O que diferencia o oxímoro da
contradição propriamente dita é a intencionalidade do oxímoro, a
proximidade dos termos contraditórios, a visibilidade flagrante
e a admissibilidade de uma decifração.
Na contradição propriamente dita
há o lapso ou a intenção de escamoteamento, no oxímoro a idéia é
deixá-lo bem visível, obrigando quem quer assimilá-lo a refletir
sobre o porquê de sua presença.
O oxímoro é uma contradição em
leitura imediata. É lançado para que se decifre e decifrá-lo
envolve dissolver a contradição. Para dissipar a contradição, o
receptor é levado a fazer suposições como:
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A natureza do referente tratado
no oxímoro é diferente daquela que se supõe em leitura
imediata. Em Claro Enigma, de Drummond, é plausível
supor que aquilo que se julga um enigma na verdade não é ou
que o próprio conceito de enigma é um embuste.
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O que se diz verdadeiro sob um
aspecto, um ponto de vista, não o é sob outro. Quando se diz:
'tudo certo como dois e dois são cinco' é aceitável supor que
sob certo prisma as coisas estão certas porque parecem certas,
porque se finge que estão certas, mas sob outra visão tudo
está errado.
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Deve-se tomar o enunciado em
duas acepções: uma afirmativa, outra negativa.
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Evidenciar a contraditoriedade.
Quando se diz: 'reparar o irreparável ultraje', destaca-se a
impossibilidade do ultraje ser reparado.
Ao se dizer 'conseguiu o
impossível', evidencia-se que aquilo que se julgava impossível
apenas parecia impossível.
O oxímoro
é um recurso de semântica aberta. Quem o utiliza abre
possibilidades de decifração. Cabe a quem o assimila fechar as
lacunas. |