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ropriedade é a característica do
discurso ou do termo cujo significado é totalmente adequado para
o contexto em que se aplica. No significado, considere-se também
a conotação.
A impropriedade altera a mensagem,
causa dano. Há impropriedades sutis e outras em que o dano é
considerável.
Há impropriedades típicas em todos
os idiomas. Os manuais de gramática normativa estão sempre
advertindo contra elas. No português, como exemplo, é
tradicional a impropriedade que consiste em usar 'inflação' no
lugar de 'infração' ou 'flagrante' no lugar de 'fragrante'.
Nesses casos, a confusão resulta da semelhança fonológica entre
os termos trocados.
A impropriedade é constatada pela
inadequação da mensagem ao contexto ou pela incoerência da
mensagem resultante. Para sanar o dano causado pela
impropriedade, é preciso haver alguma previsibilidade de
correção. No caso das impropriedades tradicionais, a
previsibilidade deriva da própria tipicidade da ocorrência.
Propriedade total
O discurso com propriedade total é
um sonho que naufraga diante de problemas como:
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Noções novas que ainda não têm
signo próprio.
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Noções que admitem matizes na
caracterização. Exemplos abundantes temos na filosofia, na
qual muitas noções são questão de litígio quanto à definição.
Assim, para cada matiz da noção seria necessário um signo
próprio.
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Signos conotados tornam-se
impróprios em contextos culturais novos ou diferenciados dos
típicos.
Para solucionar problemas de
propriedade pode-se usar soluções como:
-
Criar neologismos.
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Fazer uso ressalvado.
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Definir o termo antes de usá-lo,
para que não seja confundido com outras possibilidades de
significação. Estas definições ora ampliam, ora reduzem, ora
modificam o espectro comum de significação.
-
Uso de tropos. Muitas vezes o
tropo expressa melhor uma mensagem que um enunciado que admite
leitura imediata.
Uso ressalvado
É comum se ouvir: 'O termo tal, na
acepção de fulano, ...' Ocorrências como esta são casos de uso
ressalvado de signos. Quem discursa não encontra a solução
própria, então recorre a um uso impróprio fazendo a ressalva
para que este seja tomado com significação diferenciada. Há
outros meios para efetuar a ressalva, tais como: uso de aspas no
discurso escrito ou balizas como 'com reservas', 'como dizem',
etc.
Propriedade e recursos
retóricos
Tradicionalmente considera-se que
as metáforas, ironias, metonímias e alegorias têm sentido
impróprio. Essa tradição se lastreia na afirmação de que só se
tem sentido próprio quando é possível a leitura imediata. Assim,
diz-se que na metáfora 'Maria é uma flor' não há sentido próprio
em 'flor' porque este signo só é pertinente a parte da planta e
não à mulheres.
As metáforas são impropriedades
apenas na leitura imediata. Mas não se faz metáforas para que
sejam lidas pelo modo imediato. Na metáfora do exemplo dado,
'flor' representa parte de uma planta e não se está dizendo que
Maria é uma planta. A metáfora tem seu algoritmo próprio de
decifração que dissipa o ilogismo e, via de regra, as metáforas
podem ser próprias ao contexto e em certos casos, mais próprias
que termos que admitem leitura imediata.
Propriedade aproximada
Ao dizer 'Ficou sem abrigo' onde
caberia 'Ficou sem casa' pratica-se uma impropriedade parcial,
pois, 'abrigo' não tem o mesmo espectro de significação de
'casa'. Não totalmente, mas há semelhanças. Ocorreu uma permuta
de semelhantes. Em muitos casos essa forma branda de
impropriedade não causa dano, pelo contrário traz conotação
diferenciada, o que tem seus efeitos retóricos.
Sinonímia
Sinonímia é a equivalência de
nomes quanto ao significado. É rara a sinonímia perfeita. Boa
parte do que se rotula como sinonímia é apenas propriedade
aproximada.
O que costuma impedir a sinonímia
total é a conotação. Se já é raro encontrar dois termos com
mesma extensão e compreensão, mais raro ainda é que tenham
também mesma conotação.
Sinonímia para tropos
Na
sinonímia para tropos, o que está em questão mais precisamente é
o sinônimo do tropo que admite leitura imediata, que não é
igualmente tropo.
Uma das características dos tropos
é a concisão. A metáfora 'Maria é uma flor' diz muito mais que
'Maria é bela'. Na maioria dos casos, para sugerir um
equivalente imediato de um tropo é preciso recorrer a enunciados
bem mais extensos. O resultado nem sempre é satisfatório, tanto
do ponto de vista da propriedade quanto do estético.
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