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ara apresentarmos nossa teoria
taxonômica usamos um estilo matemático.
Critério de classificação:
Um critério de classificação, ou C, para um conjunto com pelo
menos dois elementos, a que chamaremos conjunto universo, ou U,
é um conjunto de proposições de argumento único, ao qual
chamaremos P1, P2, ... Pn, tais que:
Temos ao menos duas proposições.
O conjunto união dos domínios de
validade de cada proposição em U, é o conjunto U. Se chamarmos
esses domínios abreviadamente: C1, C2, ..., Cn, teremos:
C1 C2 ... Cn = U
Os domínios de validade em U das
proposições são conjuntos disjuntos dois a dois.
C1 C2 =, C2 C3 = , ... Cn-1 Cn =
O domínio de validade em U de cada
proposição não é um conjunto vazio.
Taxonomia:
Uma taxonomia para U, ou T, é o conjunto formado por um critério
de classificação para U, mais os domínios de validade em U das
proposições do critério de classificação.
T = C, C1, C2, ..., Cn
Das definições acima concluímos
que para uma taxonomia ser consistente devemos considerar todos
os elementos do conjunto na classificação, e nenhum elemento do
conjunto classificado pode verificar mais de uma proposição do
critério.
Nível taxonômico:
É possível criar taxonomias para as classes de uma taxonomia.
Quer dizer, é possível classificar uma classe.
Para definir o nível taxonômico de
uma classe considera-se o conjunto U como referência.
Nível taxonômico l é o das classes
que resultam de uma taxonomia para o conjunto U.
Nível taxonômico 2 é o das classes
que resultam de uma taxonomia para classes de nível l.
Nível taxonômico n é o das classes
que resultam de uma taxonomia para classes de nível n-1.
O nível de uma classe é conceito
análogo ao que Aristóteles chamava de compreensão.
Árvore taxonômica:
Quando a partir de um conjunto universo se cria uma taxonomia
seguida de outras para as classes geradas e outras
indefinidamente, de modo que obtém-se classes com níveis
taxonômicos diversos diz-se que temos uma árvore taxonômica.
Árvore taxonômica é o conjunto das taxonomias criadas para um
conjunto raiz.
Genealogia taxonômica:
Uma classe pertencente a uma árvore taxonômica que tenha nível
taxonômico n é contida por n-l classes da árvore. Uma dessas
classes é de nível taxonômico n-l, outra de nível taxonômico
n-2, outra de nível n-3 e assim por diante até atingirmos o
conjunto raiz.
Genealogia de uma classe de uma
árvore taxonômica é o conjunto de classes que a contém. Por
analogia a genealogia taxonômica poderia ser descrita como o
caminho que leva da raiz até a classe definida.
A genealogia de uma classe C de
nível n pode ser representada por uma n-upla ordenada. O
primeiro número da n-upla designa a classe de nível 1 que contém
C. O segundo número da n-upla designa a classe de nível 2 que
contém C. O terceiro número da n-upla designa a classe de nível
3 que contém C. E assim por diante até o enésimo número da
n-upla que designa a ordem de C no nível n.
Definição taxonômica:
Da genealogia de uma classe C podemos extrair um subconjunto de
classes cujas proposições juntas são suficientes para definir C
em U. Diz-se que esse subconjunto de proposições é uma definição
taxonômica para C.
O contexto da definição taxonômica
é o conjunto U.
Uma genealogia pode conter mais de
uma definição taxonômica.
Definição aristotélica:
Uma definição aristotélica para a classe C de nível n é a
definição taxonômica com até dois elementos tirados da
genealogia de C, na qual um é a proposição de nível n, chamada
diferença específica, outro é a proposição de nível n-l, chamada
gênero próximo.
Economia de classe:
É o menor número de elementos da genealogia suficientes para
definir a classe em U.
Classe de ponta:
Numa árvore taxonômica classe de ponta é aquela sobre a qual não
se cria taxonomia. O conjunto união de todas as classes de ponta
da árvore é o conjunto raiz.
Equivalência de ponta:
Duas taxonomias têm equivalência de ponta quando o conjunto das
classes de ponta é o mesmo para ambas.
Árvores taxonômicas notáveis
Isoeconômica:
ocorre quando todas as classes da árvore têm mesma economia. A
árvore aristotélica é um exemplo.
Aristotélica:
Todas classes da árvore são definidas em U por definições
aristotélicas. A economia de todas as classes é menor ou igual a
2. Eventualmente podem haver classes com economia l.
Platônica:
Os critérios de classificação são formados sempre por duas
proposições, na qual uma é a contraditória da outra. É a
classificação por dicotomias. Podemos dizer que para qualquer
árvore taxonômica existe uma árvore taxonômica platônica, que
lhe é equivalente na ponta.
Por propriedades:
Para toda classe Ci, j, k,...n, Pi, j, k,...n é definição
taxonômica. A economia de todas as classes da árvore é 1.
Por critérios independentes:
Para toda classe de nível n da árvore, a economia é igual a n.
Neste caso, a classe só é definida pela sua genealogia.
Isoníveis:
Todas as classes de ponta da árvore têm mesmo nível.
Matriciais:
Chamamos eixo de uma árvore taxonômica matricial cada um dos
critérios de classificação identificáveis na taxonomia. Numa
árvore taxonômica em U de n eixos podemos identificar n
critérios de classificação. Cada um dos n critérios aplicados em
U gera uma taxonomia para U. As taxonomias matriciais podem ser
representadas por matrizes com dimensão igual ao número de eixos
da taxonomia.
Tomemos como exemplo uma árvore
taxonômica com dois eixos: a que o Grupo Nü propôs para
classificar os recursos de Retórica, que eles designam por
'metáboles'. O primeiro eixo dessa classificação divide as
metáboles em metaplasmos, metataxes, metassememas ou
metalogismos. O segundo eixo da classificação divide as
metáboles em: de supressão, de adjunção, de supressão-adjunção e
de permutação. Essa árvore taxonômica do Grupo Nü pode ser
representada por uma matriz de duas dimensões. Isso corresponde
graficamente a uma tabela com quatro linhas, quatro colunas e
dezesseis células. Em resumo, a árvore taxonômica das metáboles
tem dois critérios de classificação, logo, dois eixos, dezesseis
classes de ponta com nível dois e cinco taxonomias.
Taxonomias adequadas
Por um automatismo próprio de quem
busca o conhecimento, o estudioso, diante de um conjunto
numeroso e díspar, se vê tentado a reduzir a quantidade e a
disparidade. Um dos meios que se lança mão para isto é a
taxonomia.
Taxonomias são úteis para o
conhecimento, mas só sob certas condições. A primeira condição é
a a consistência, ou seja, a taxonomia gerada tem que atender à
definição geral para taxonomias. Para isso deve abranger todos
os elementos, e nenhum deles deve ser passível de constar em
mais de uma classe taxonômica.
A segunda condição é a relevância.
Os critérios de classificação usados devem distinguir as classes
apontando as semelhanças e diferenças relevantes entre os
elementos classificados.
A terceira condição é a
pertinência ao contexto a que se destina. Se as classificações
dos recuros retóricos, por exemplo, fossem feitas não por
retóricos, mas por humoristas, talvez fosse conveniente separar
os recursos em engraçados, muito engraçados, pouco engraçados e
sem graça nenhuma.
Uma taxonomia consistente,
relevante e pertinente não é melhor nem pior que outra
igualmente consistente, relevante e pertinente para o mesmo
conjunto. Em outras palavras, não existe classificação natural,
ideal. Não existe 'a' taxonomia para um conjunto. Existem apenas
taxonomias adequadas.
As taxonomias que melhoram nosso
conhecimento são, geralmente, as indutivas. São aquelas cujas
proposições que formam o critério de classificação são
generalizações sobre os elementos do universo considerado.
Ilusões sobre a qualidade de
taxonomias
Ilusão das regularidades
geométricas: Platão,
por exemplo, gostava de classificações por dicotomia. Esta
regularidade lhe parecia perfeita. Há quem se sinta bem diante
de uma árvore taxonômica simétrica, ou isoeconômica, ou
isoníveis, etc. O estudioso deve se precaver da tentação de
achar que taxonomias com regularidades geométricas são
essencialmente superiores ou que uma taxonomia só é boa se tiver
regularidades geométricas.
Ilusão da analogia perfeita:
Por vezes, ao criar uma taxonomia, o estudioso é levado a crer
que a classificação deve ter similaridade com alguma coisa
tomada a priori sem saber corretamente até onde se estende essa
similaridade. Um exemplo: na Retórica temos várias
classificações para recursos retóricos que supõe similaridade
entre Retórica e Lingüística. Assim, os recursos retóricos são
classificados em fonológicos, morfológicos, sintáticos,
semânticos e geralmente mais uma classe para recursos de nível
superior ao gramatical. Os nomes usados não são exatamente
estes, mas é fácil perceber a intenção.
Taxonomias geradas a partir de
analogias são apenas um caso de método indutivo de geração.
Poderíamos citar tantos casos de problemas com taxonomias
quantos fossem os métodos indutivos, pois, para cada método
indutivo há uma via errada a ele associada. Este estudo, porém,
escapa à Retórica, pertence à epistemologia. |