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ara tratar das questões miméticas
de tempo, temos que considerar dois relógios: o da realidade e o
do universo ficcional. O primeiro mede o tempo objetivo e o
segundo o tempo fictício.
Época e duração
Época
de criação ou de emissão:
é a coordenada de tempo real
associada ao momento da criação do discurso pelo autor.
Época
de atualização ou de recepção:
é a coordenada de tempo real
associada ao ato da recepção do discurso ou representação.
Época
de narração: tempo
ficcional associado hipoteticamente à narração.
Época
de ação: é a coordenada
de tempo fictício associada supostamente à ação narrada.
Duração da ação: É o
lapso de tempo ficcional em que ocorre a ação narrada. Mede-se
num relógio solidário ao universo ficcional.
Duração da atualização:
é o lapso de tempo real em que
ocorre a atualização da narrativa pelo leitor/espectador.
Narrações contraída, justa e dilatada
É justa se a duração da
atualização coincidir com a duração da ação. Contraída se a
duração da atualização for menor que a da ação e dilatada se
ocorrer o contrário.
Para dizer se uma narrativa é
justa, contraída ou dilatada é preciso supor que o tempo de
atualização seja fixo e conhecido para todas as leituras, o que
não ocorre. Contorna-se o problema supondo uma duração de
atualização média, baseada no desempenho do leitor médio que
executa uma leitura integral, vocalizada e dramatizada nos
discursos diretos.
Narração em tempo real:
é aquela que hipoteticamente ocorre paralela à ação. Há
coincidência de época de ação com época de narração.
Narração pretérita:
é a que supostamente ocorre após a
consumação dos fatos narrados. O narrador a pratica livre das
contingências do momento da ação, rememorando os fatos. |